Debate

Cavalo agredido nas Olimpíadas intensifica debate sobre animais no esporte

Redação Hypeness - 09/08/2021

Uma das cenas mais bizarras dessas Olimpíadas foi a agressão contra um cavalo na prova do pentatlo moderna, em que o atleta deve ‘domar’ um cavalo desconhecido.

A competidora Anikka Schleu teve dificuldades para conseguir controlar as rédeas do equino Saint Boy e sua treinadora, Kim Raisner, deu um soco nas coxas do cavalo.

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Anikka Schleu sofre para domar cavalo e treinadora parte para agressão

Confira as imagens:

 “A UIPM deu um cartão preto para a treinadora alemã Kim Raisner, desclassificando-a do restante de Tóquio 2020. As imagens mostram Raisner acertando o cavalo montado por Anikka Schleu com um soco”, informou a organização que coordena o pentatlo moderno à nível mundial.

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Esse não foi o único caso que revelou maus-tratos aos animais utilizados para as provas que envolvem o hipismo. O cavalo Jet Set sofreu uma lesão na pata esquerda durante a prova de cross-country. O animal foi sacrificado pelo Federação Equestre Internacional (FEI) após a constatação da lesão de ruptura no ligamento da pata traseira direita. É algo fatal? Não. Mas como o cuidado desses animais é caríssimo e Jet Set não teria mais serviço ao esporte, foi decidido que ele seria morto.

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Em abril de 2021, um vídeo do brasileiro Leandro Aparecido da Silva agredindo um pequeno pônei ao lado de sua filha vazou nas redes sociais. Silva é um dos principais nomes do hipismo nacional – já tendo conquistado medalhas olímpicas – e foi suspenso pela FEI por três anos.

Um animal da delegação britânica fugiu durante a prova amazona e um cavalo sueco acabou tendo um grave sangramento causado por uma lesão artificial após queda na pista. O discurso dentro do mundo do hipismo é o de que os animais não sofrem maus-tratos e que, portanto, a prática não seria maléfica.

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Entretanto, a própria ciência mostra que, no caso dos cavalos, as aparências enganam. “O cavalo, para sua infelicidade, evoluiu de tal modo que ele pode disfarçar qualquer dor, exceto a mais insuportável, até o fim, sem demonstrá-la de modo algum. Na natureza selvagem, o cavalo que demonstra dor, fraqueza ou uma enfermidade, ao mesmo tempo que se condena a ser devorado, ou ao ser rebaixado na escala hierárquica do seu rebanho”, explica Alexander Nevzorov, um jornalista russo que deixou de montar após pesquisar as consequências do hipismo para o sistema nervoso dos equestres.

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O grande problema envolvendo o hipismo e as corridas a cavalo são justamente os seus praticantes e entusiastas. Os competidores olímpicos do hipismo são usualmente oriundos de famílias abastadas; os apostadores em corridas de cavalo são usualmente milionários. Anualmente, a indústria de esportes equestres movimenta quase 120 bilhões de dólares nos Estados Unidos.

Diversos artigos na imprensa mundial questionam qual é a validade desses esportes. A única modalidade com animais das Olimpíadas não justifica sua existência; o domínio atlético dos competidores não é necessariamente surpreendente e boa parte do trabalho depende da exploração desses cavalos que, em muitos casos, são vítimas de maus-tratos voluntários e involuntários. Com a frequente mudança nos esportes olímpicos a cada edição dos Jogos, está na hora do Comitê Olímpico Internacional rever a presença do hipismo na competição.

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Fotos: Foto 1: Reprodução/TV Globo Foto 2: Getty Images


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