Arte

Cine Nativo: plataforma de cinemas indígenas para alargar visão de mundo e audiovisual

Vitor Paiva - 12/08/2021 | Atualizada em - 16/08/2021

A arte funciona como um espelho, no qual nos reconhecemos e melhor nos compreendemos – e poucas formas oferecem tal impacto positivo de forma tão quase literal quanto o cinema. Daí a importância de uma inciativa como a Cine Nativo, uma plataforma experimental de cinema indígena, oferecendo mais de 100 filmes para acesso online e gratuito dando voz e contando histórias dos povos originários no Brasil e em diversos outros países. A plataforma de streaming é parte da plataforma Visibilidade Indígena, apresentada como uma “etnomídia” em trabalho pela amplificação de “vozes através da divulgação da arte contemporânea, do entretenimento, do cinema e das culturas dos povos indígenas”.

Capa da plataforma onde funciona o Cine Nativo

Capa da plataforma onde funciona o Cine Nativo © reprodução/Visibilidade Indígena

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Fundada em 2017 pela rapper e ativista Katú Mirim, a plataforma atua pela afirmação das produções artísticas indígenas nas mais variadas frentes – além do cinema, trazendo também nomes das artes plásticas e da literatura pertencentes aos povos do Brasil. “Acreditamos na potência transformadora de recontar as histórias através das nossas próprias perspectivas e visões de mundo, como forma de reconhecer a nossa potência e romper com os estereótipos e preconceitos construídos desde a invasão do país que hoje chamam de Brasil”, diz o texto de apresentação da plataforma.

A rapper Katú Mirim

A rapper Katú Mirim, responsável pela criação da plataforma © Divulgação

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Dentro da Visibilidade Indígena, a Cine Nativo foi criada em 2019, e trabalha sob curadoria do cineasta e crítico de cinema Karkará Tunga. Entre longas, médias e curtas-metragens, documentários, animações e filmes de ficção, a plataforma oferece o streaming dos filmes bem como informações como sinopse, direção, duração e ano de realização de cada obra – a variedade de obras disponíveis na plataforma dão uma ínfima fração da imensa variedade de histórias, faces, tradições e lutas que os povos originários possuem, entre os mais de 305 povos e 247 línguas faladas no país.

Cine Nativo

A plataforma oferece mais de 100 filmes indígenas © reprodução/Visibilidade Indígena

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“Do Norte ao Sul, há indígenas no mundo inteiro que possuem diferentes culturas, cosmovisões, aparências e modos de vida; há indígenas que são artistas, fotógrafos, cineastas, intelectuais, professores, escritores, astrônomos, cientistas, médicos, políticos, historiadores, antropólogos, dentre tantas outras coisas”, diz o texto da plataforma. “Em meio a essas pluralidades, o V.I. busca reforçar que não estamos parados no tempo e que nossas narrativas e culturas são atuais e estão em constante movimento”, conclui. Além dos filmes da Cine Ativo, a plataforma oferece textos, artigos, acervos digitais e mais – além do contato direto aos colaboradores que realizam a Visibilidade Indígena.

Cine Nativo

A plataforma disponibiliza também literatura e artes plásticas de produção indígena © reprodução/Visibilidade Indígena

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.