Sustentabilidade

Clima: Itália ferve com 49º C e Grécia com incêndio ‘sem precedentes e de proporções desastrosas’

Gabryella Garcia - 24/08/2021 | Atualizada em - 26/08/2021

Os efeitos e consequências das mudanças climáticas vão cada vez mais mostrando sua força no ano de 2021. Enquanto no Brasil foram registrados recordes de temperaturas negativas no inverno, o Hemisfério Norte sofre com uma onda de calor sem precedentes. Enquanto na Itália as temperaturas atingiram 48,8°C e deixaram ao menos quatro mortos, na Grécia foram registrados 586 incêndios florestais “em todos os cantos do país”, de acordo com o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis.

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A ilha de Evia, na Grécia, ficou completamente destruída com os mais de 500 pontos de incêndio que atingiram o país

Na Itália, a temperatura de 48,8°C registrada na província de Siracusa é o valor mais alto registrado no continente europeu. Anteriormente o recorde havia sido registrado no dia 10 de julho de 1977, em Atenas, atingindo 48°C. Outras cidades italianas que atingiram temperaturas elevadas no mês de agosto foram Paterno (47,4°₢), Mineo (46°₢), Francofonte (45,4°C) e Aragona (45,2°C).

Como consequência da onda de calor, durante vários dias chamas alimentadas pelo vento e calor assolaram as florestas italianas. Bombeiros da Calábria e Sicília afirmam ter realizado 300 intervenções em apenas 12 horas e em La Madonia, uma região montanhosa próxima a capital siciliana, cultivos, casas e prédios industriais foram destruídos. Há o registro de ao menos quatro mortes.

Incêndios na Grécia

Na Grécia o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis afirmou que o país passa por um desastre natural sem precedentes. Enfrentando uma das piores ondas de calor das últimas décadas, foram registrados 586 incêndios florestais que resultaram em pelo menos 73 evacuações.

A segunda maior ilha da Grécia, Evia, está no centro da tempestade de incêndios que assolou o país. Mais da metade da ilha foi queimada, de acordo com autoridades locais.

Os incêndios têm sido devastadores para os gregos que dependem das florestas para seu sustento. Em Evia, moradores afirmaram que a assistência nacional chegou tarde demais. E seus produtos – incluindo resina, mel, azeitonas e figos – foram destruídos pelas chamas.

O primeiro-ministro, inclusive, chegou a fazer um discurso na TV pedindo desculpas ao povo “pelas fraquezas do governo” no combate aos incêndios. Centenas de casas foram destruídas e muitas pessoas foram obrigadas a fugir das chamas para sobreviver.

Alerta climático

No último dia 9 de agosto através do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a ONU mostrou que as mudanças climáticas causada pela ação humana no planeta já “irreversível, irremediável e irrefutável”. O documento, que reúne projeções diversas sobre a emissão de gases do efeito estufa e desmatamento, mostra que chegamos em um ponto absolutamente desastroso para a vida do planeta terra.

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Dados do estudo ligam os pontos entre a crise climática e as condições meteorológicas extremas: globalmente, secas que podem ter ocorrido apenas uma vez a cada 10 anos ou mais agora acontecem 70% mais frequentemente. E em meio à seca implacável e ao calor recorde, as temporadas de incêndios florestais agora são mais longas e resultam em incêndios mais destrutivos.

Os dados apresentados pelo relatório afirmam que as últimas quatro décadas foram as mais quentes desde 1850 e que a temperatura global já aumentou 1,07° C desde então. A tendência é que mesmo que zeremos amanhã a emissão de gases do efeito estufa, não conseguiremos conter um aquecimento maior do planeta Terra.

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Fotos: Getty Images


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.