Diversidade

Como ser uma empresa inclusiva? Importantes passos tomados pela Kimberly-Clark que devem inspirar

Vitor Paiva - 17/08/2021 | Atualizada em - 03/09/2021

O ano é 2021 e empresas que não estiverem atentas aos debates de gênero ou raça estarão perdendo a oportunidade de fazer parte do debate – e desta verdadeira transformação social. Nas pequenas e grandes corporações, há muitas formas de tornar o ambiente corporativo mais sensível às necessidades de uma mulher grávida, por exemplo, bem como à conscientização sobre os problemas raciais, as causas LGBTQIA+ e à inclusão de pessoas de diferentes gerações em seu quadro de funcionários – e isso é só o começo.

Fundada em 1872, a multinacional de higiene pessoal Kimberly-Clark tem quase 150 anos de história, não se permitiu ficar pelo caminho e, mais ainda, oferece um ótimo exemplo. Presente em uma em cada quatro casas no mundo todo ao longo de tantas décadas, a empresa entende que precisa ser voz ativa em meio a tantas discussões importantes, e hoje busca atuar com base em pilares relevantes para o desenvolvimento da marca e em sua relação com funcionários e clientes no que se refere a temas como Gênero, Raça, população LGBTQIA+, Gerações e PCD (pessoas com deficiência). Nesse sentido, a empresa tem criado uma série de parcerias e iniciativas, como a criação da cartilha da diversidade, que compartilha com colaboradores informações, termos e dicas importantes sobre as diferentes frentes dessa jornada.

Aqui vão alguns passos tomados pela Kimberly-Clark para promover diversidade e inclusão e que deveriam ser seguidos por companhias de todo e qualquer setor.

Mulheres líderes e mães assistidas

Olhe para a sua empresa e identifique quantas mulheres estão em cargos de liderança e quantos homens exercem o mesmo tipo de função. É provável que você perceba uma presença masculina majoritária nas cadeiras de gestão e liderança. Diminuir essa diferença é um dos objetivos que a Kimberly-Clark busca alcançar em todos os países em que atua, por intermédio de seu pilar de equidade de gênero.

Atualmente, as lideranças femininas representam 41% da empresa no Brasil. Na diretoria, elas ocupam 58% das cadeiras – a meta global, porém, é ter 50% de mulheres em cargos de liderança até 2030. De acordo com uma pesquisa do McKinsey Global Institute, apoiar o empoderamento feminino e a redução da desigualdade entre gêneros no ambiente corporativo poderá contribuir em até US$ 28 trilhões (cerca de R$ 139 trilhões) para o PIB global até 2025.

Ana Tasca, diretora de Compras para a América Latina da Kimberly-Clark

Ana Tasca, diretora de Compras para a América Latina da Kimberly-Clark

A empresa também investe em programas de mentoria de mulheres, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de talentos para cargos de liderança — levando em consideração a maternidade como pauta importante dos encontros, tendo como um dos principais objetivos ser um ótimo ambiente para mães que trabalham. Quem tem direito à licença maternidade pode ampliar o período de quatro para seis meses. “A Kimberly-Clark prioriza e incentiva programas robustos de conscientização, promovendo fóruns, palestras de impulsionamento para maior atenção ao tema, oferecendo aos seus colaboradores ferramentas de desenvolvimento humano e comportamental para apoiar e acelerar um ambiente inclusivo e igualitário”, explica Ana Tasca, diretora de Compras para a América Latina da Kimberly-Clark, e participante do grupo de mentoria para mulheres.

A companhia conta ainda com uma política de auxílio às mães com filhos até 12 meses e precisam viajar a trabalho, permitindo que as funcionárias levem o filho e um acompanhante com as despesas pagas pela empresa. Há também um programa de acompanhamento para apoiar a gestante até seu retorno ao trabalho, que oferece uma enfermeira dedicada e exclusiva para o período: Tal benefício é estendido às dependentes, ou seja, esposas grávidas de funcionários da Kimberly-Clark Brasil, com a intenção de promover o acompanhamento de todas e estimular a realização do pré natal, de forma a evitar possíveis problemas que possam levar, por exemplo, a um parto prematuro e/ou com complicações. São também oferecidos auxílio creche, home office, jornada de trabalho flexível, sala de amamentação, além de outras medidas de apoio a gestantes e lactantes.

As campanhas #ChegaDeEstigma e #EuSouUmNovoCiclo, da marca de absorventes Intimus, também sustentam o pilar de gênero da empresa ao colocar em foco questões relevantes sobre empoderamento feminino, como o fim do estigma da menstruação e tudo aquilo que envolve o período menstrual.

 Grupos de interesse e ações voltadas ao público LGBTQIA+

O compromisso irrestrito com o estabelecimento de um ambiente de acolhimento à comunidade LGBTQIA+, assim como o respeito à voz e o oferecimento de escutas aos funcionários que integram este grupo são dois caminhos que uma empresa pode seguir para começar a implementar uma rede de apoio corporativa e transformadora. A Kimberly-Clark tem isso enraizado em seus objetivos de forma notória. A empresa é signatária do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, iniciativa que oficializa e mostra o compromisso da companhia com a promoção e o respeito à comunidade LGBTQIA+.

Grupos de trabalho e ações voltadas para alcançar esse público, dentro e fora da empresa, acontecem com frequência, desde 2019. De lá para cá, diversas ações educativas passaram a fazer parte do cotidiano da companhia, que vem adequando suas práticas internas para atender às necessidades de seus funcionários. Saber ouvir quem ocupa um lugar de fala é, portanto, pilar fundamental deste processo.

Pedro Marques, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Kimberly-Clark Brasil

Pedro Marques, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Kimberly-Clark Brasil

Organizar eventos que promovam o debate sobre inclusão e diversidade também é um ponto positivo para a conscientização entre os funcionários da empresa. Em junho do ano passado, a Kimberly-Clark organizou a 1ª Semana de Inclusão & Diversidade do Brasil, incluindo o tema LGBTQIA+ como destaque para toda América Latina. “Temos ainda algumas evoluções no tema de recrutamento e seleção, para os quais estamos começando algumas parcerias. Abriremos espaços de conversas para o público LGBTQIA+ da empresa para justamente ter espaços seguros onde podemos seguir evoluindo o tema”, avalia Pedro Marques, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento e co-líder do pilar de LGBTQIA+ da Kimberly-Clark Brasil.

Por acreditar no poder do respeito e da inclusão e buscar isso para seus times, a Kimberly-Clark iniciou uma parceria com o Projeto Transpor, consultoria sem fins lucrativos que tem a missão de aumentar a empregabilidade trans e incentivar a diversidade. Tal parceria irá focar na contratação de pessoas transgênero, transexuais e travestis e capacitar os colaboradores para receber e acolher esses profissionais.

Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial

Em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural, é preciso combater os mecanismos do preconceito de raça que oprimem pessoas negras todos os dias, e isso também se faz necessário no ambiente de trabalho. Como precisamente diz a filósofa e acadêmica americana Angela Davis, “Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”, e em tal premissa reside a importância das ações e campanhas sobre o tema, que desenvolvem lideranças negras, fomentam a troca de aprendizados e informações e estimulam parcerias que agregam conhecimentos e novas iniciativas.

Juliana Santos, analista de Trade na Kimberly- Clark

Juliana Santos, analista de Trade Categorias na Kimberly-Clark

Um bom exemplo deste caminho é a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que reúne 73 grandes empresas em trabalho pela inclusão e valorização das populações negras no país. Trata-se de movimento iniciado em 2015, que reúne representantes da sociedade civil com membros do poder público e empresários, a fim de aprimorar práticas pela igualdade racial na gestão das empresas, bem como ampliar a presença de negros no ambiente empresarial e a promoção de práticas pela igualdade. A Kimberly-Clark passou a fazer parte do movimento no início desse ano.

Isso aproxima os colaboradores da realidade brasileira, estimula a pensar em novas possibilidades, a quebra de paradigmas. Então, trabalhar com esses pilares em pauta com certeza contribui para a melhora dos colaboradores como cidadãos”, comenta Ivo Rodrigues Neto, Gerente de Produção e integrante do pilar de Raças da Kimberly-Clark Brasil, que é signatária da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial.

Não dê espaço para o capacitismo

Pessoas com deficiência (PCD) não só podem como devem fazer parte do time de funcionários de qualquer empresa. É preciso, portanto, combater o estigma de que este grupo não poderia desempenhar atividades profissionais nos mais variados ramos da atuação com qualidade e talento como todas as outras. 

Ana Paula Costa é cadeirante e foi contratada pela Kimberly-Clark em 2013, como assistente executiva. Desde o primeiro dia na empresa, ela nota que há uma grande preocupação com a diversidade e o bem estar de PCDs na companhia. “Eu era a primeira cadeirante no escritório e montaram um grupo multifuncional que discutiu como poderiam facilitar minha adaptação. Isso foi de grande valia para mim, pois era minha primeira experiência profissional nesta condição, me senti muito acolhida e a vontade para ser quem sou, sem me preocupar com esta característica física”, conta.

Ana Paula Costa, assistente de Diretoria na Kimberly-Clark Brasil

Ana Paula Costa, assistente de Diretoria na Kimberly-Clark Brasil

Portas abertas a diferentes gerações – e pensamentos

É fundamental que uma empresa não feche seu banco de vagas para profissionais mais experientes. Contar com a expertise e o conhecimento de pessoas que já estão no mercado há muito tempo traz olhares sensíveis e treinados que se somam às perspectivas dos mais jovens. No caso da Kimberly-Clark há como exemplo o Projeto Infinitum, conhecido como Comunidade Plenitud, ação que tem como objetivo acompanhar a vida e entender hábitos de consumo de mulheres e homens incontinentes no Brasil, e desenvolver produtos que atendam às necessidades específicas desse público, auxiliando no questionamento do estigma e quebra de tabus sobre o tema. O tópico pode parecer desimportante para os mais jovens, mas uma em cada quatro pessoas a partir dos 40 anos tem escapes de xixi – como melhor lidar com tal dilema?

A empresa estabeleceu recentemente uma parceria com a consultora Maturi, a fim de fomentar a presença de pessoas mais maduras no mercado de trabalho. Essa iniciativa ilustra o investimento da Kimberly-Clark em ações que visam aumentar a representatividade de profissionais 50+ na organização, e atividades como mentoria reversa e os grupos de trabalho intergeracionais são outros exemplos de como a empresa procura caminhar numa direção inclusiva.

Abra canais de conversa, suporte e denúncia

Empresas precisam acolher seus funcionários em momentos de dúvida, incerteza ou até mesmo medo. Nenhuma marca está imune à má conduta de algum funcionário e evitar que situações constrangedoras e ofensivas aconteçam é essencial.

No caso da Kimberly-Clark, há canais de apoio abertos 24 horas por dia para que colaboradores e familiares possam entrar em contato quando necessário.

É um caminho que se atravessa ouvindo pessoas de diferentes perfis que passaram ou passam por esse tipo de situação. Dar ouvidos às vozes de grupos diversos é o primeiro passo para entender vivências diferentes das nossas: se estamos em sociedade, precisamos entender que o nosso silêncio ou nossa falta de informação podem alimentar dores profundas em outras pessoas. Dar espaço ao diálogo e à troca, mesmo que em pequenos espaços, é ponto fundamental para se atravessar o longo caminho da diversidade e inclusão – e você? O que tem feito para construir essa ponte?

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.