Sustentabilidade

De Gobi ao Saara: por que devemos temer o crescimento dos desertos

Redação Hypeness - 29/08/2021 | Atualizada em - 31/08/2021

Quase um quinto de toda a área terrestre do planeta está coberta por desertos. E com o avanço do aquecimento global e a intensificação das mudanças climáticas, os desertos estão se expandindo cada vez mais – e não parecemos estar sendo bem-sucedidos na missão de barrá-los.

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Cientistas estão observando que os desertos gigantes de Gobi e do Saara estão se expandindo. O primeiro, que ocupa a China e a Mongólia, tem avançado drasticamente em direção ao sul. Todos os anos, o deserto de Gobi se expande cerca de 3000 mil quilômetros quadrados e já preocupa o governo chinês: a capital do país, Pequim, é frequentemente atingida por tempestades de areia oriundas do ambiente desértico.

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O Saara, que já ocupa 10% de todo o território africano, também não parece arrefecer: diversos governos da região subsaariana tentam criar muros vivos com reflorestação para tentar barrar o avanço do monstro de areia que ocupa o norte africano, mas a pujança das tempestades de areia e a dificuldade em obtenção de recursos para conter o Saara dificultam o processo em diversos países. Seu crescimento é ainda mais assustador: são 11 mil quilômetros quadrados se transformando em deserto anualmente.

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O principal motivo para a expansão da desertificação é o desmatamento: as árvores mantém um pequeno ecossistema que, em larga escala, protege o solo da desertificação: suas folhas viram matéria orgânica, que se transforma em vegetação baixa e é capaz de conter o avanço do deserto.

As tempestades de areia acabam varrendo o solo de regiões desmatadas e acabam destruindo o solo, abrindo o caminho para a dominação da areia.

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A consequência da desertificação é um aumento da extremidade das temperaturas, redução da possibilidade de agricultura e redução das chuvas.

Mas o problema não é exclusivo de Gobi ou da Saara.

A desertificação no Brasil

A desertificação é um processo que têm avançado no Brasil. Boa parte do semiárido nordestino está cedendo à desertificação. Mas não é só por lá.

Em 2010, a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira afirmou que esse processo deveria se intensificar em regiões como o cerrado. “Nas outras regiões do Brasil, áreas altamente produtivas podem deixar de ser nos próximos anos”, disse, em 2010.

Desde então, o processo de desertificação pôde ser verificado especialmente na Caatinga nordestina, mas chegou até o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, que abriga parcelas da Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica. E o principal culpado? O agronegócio.

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“A desertificação é um fenômeno antrópico, causado pelo ser humano e pelo seu modelo de desenvolvimento. Portanto, a desertificação é um fenômeno provocado (pelo homem)”, afirma Aldrin Pérez-Marin, do Instituto Nacional do Semi-Árido, ao G1.

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Fotos: © Getty Images


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