Reverb

Dia do Rap Nacional: 7 mulheres que você deveria ouvir

Veronica Raner - 06/08/2021

Uma das maiores playlists de rap do Spotify se chama “Gigantes do Rap Nacional”. Nela, estão alguns dos nomes brasileiros mais premiados do gênero, para alegria dos quase 240 mil seguidores que acompanham a lista. “Até aí tudo bem”, diria um analista de mesa de bar. Mas entre Emicidas, Black Aliens, Djongas e Manos Browns, faltam Driks Barbosas, Bivolts, Brisa Flow e Pretas Raras.

Katú Mirim, rapper paulista, é sinônimo de resistência indígena na cidade

Drik Barbosa.

Com 65 músicas, a lista reflete uma realidade: ainda falta muito para que o rap feminino seja reconhecido como merece. Apenas nove delas contam com participações de rappers mulheres. O número representa cerca de 13% do total da playlist. 

Em pleno Dia do Rap Nacional, é hora de lembrar que elas também têm voz dentro da cena e não só merecem como precisam ser reconhecidas também como gigantes. 

Preta Rara

Joyce Fernandes é rapper, professora, escritora e ativista. Autora do livro “Eu, Empregada Doméstica: A senzala moderna é o quartinho de empregada”, ela lançou seu primeiro álbum, “Audácia”, em 2015. “Pela música no grito sou guerreira que não para. Não me vendo por promessas falsas de canalhas. Rala peito, verme, aqui é força e trabalho. Carta no baralho não tô fora e não falho“, canta em “Graças ao Arauto”.

Tamara Franklin

“Lágrimas sangue e suor, ninhos de serpente. Mas quem colhe o fruto é porque um dia acreditou na semente.” O verso é de “Minhas Almas”, música de Tamara Franklin para o álbum “Anônima“. (2015) A rapper é de Ribeirão das Neves, próximo à Belo Horizonte, em Minas Gerais. Ano passado, ela lançou “Fugio – Rotas de Fuga Pro Aquilombamento“, um resgate da ancestralidade da rapper misturada com as batidas urbanas. 

Drik Barbosa

Drik Barbosa é um dos nomes mais importantes da cena rap e R&B. Em 2019, lançou seu álbum de estreia, “Drik Barbosa”, com um time de convidados que deixaram o disco ainda mais iluminado do que já era com os versos e a voz da cantora e rapper. “Eu vim pra ser luz / Vem pra iluminar / É tanta neblina, tensão desanima / Mas só que eu sou luz / Que na escuridão clareia / É fé que corre na minha veia / É proteção que me rodeia / Que sempre vai me acompanhar” (versos de “Luz”)

Baco Exu do Blues fala sobre a depressão: ‘Você não consegue estar feliz’

Flora Matos

“Hora de lembrar que só o seu amor próprio sara / Se ele deu mancada, dá uma segurada / Ninguém merece ser tirada de otária / Meu sentimento fala, conversa com a alma / E a minha mente conclui que eu mereço ser respeitada / Sou uma mulher de garra, preta de quebrada / E o conforto que eu tenho é o meu dinheiro que paga / E seja na favela ou nos prédio eu tô em casa / Faço rap bem feito que é pra não me faltar nada.”

Brisa Flow

Mineira, Brisa Flow cresceu imersa na cultura ameríndia por conta de seus país, indígenas araucanos. Por meio de suas letras, passou a cantar também as lutas da opressão feita de diversas formas aos seus ancestrais. “Violeta se fue pa el cielo, baby / Novos ventos pra onde sopram se eu sou um passarinho? / Não caibo em gaiola já fugi do ninho / Carregando a viola para longe longe / De quebrada em quebrada, eu não fico quebrada.

Orochi, revelação do trap, mentaliza positividade, mas critica: ‘Querem fazer as pessoas voltarem a pensar como na Idade da Pedra’

Bivolt

O nome dela é Bárbara, mas ela prefere ser chamada de Bivolt. O apelido veio de uma professora de escola, ainda na infância. Hoje, a alcunha não é só o reflexo de uma persona “elétrica”, mas o retrato de uma artista que usa sua voz para o rap, para o pop e para o R&B. “Eu acho que isso (o nome Bivolt) me representa tanto que eu abracei ele e criei um conceito em cima disso. Eu vivo a Bivolt”, diz. 

Kmila Cdd

Kamila CDD é o nome artístico de Kamila Barbosa, carioca de 33 anos que cresceu na Cidade de Deus. Ela é irmã do também rapper MV Bill. “Tem que ter autoestima e não deixar que te encolha / Tô dando a letra / Primeiro vem os brancos, depois o homem preto / E lá no fim a mulher preta / Que surge lá no fundo, com sabedoria / Ocupando seu espaço na diretória / Com orgulho, lá no alto / Desenrolando na mesma altura sem precisar descer do salto”, canta ela em “Preta Cabulosa”. 

Publicidade

Fotos: Divulgação


Veronica Raner
Jornalista em formação desde os sete anos (quando criou um "programa de entrevistas" gravado pelo irmão em casa). Graduada pela UFRJ, em 2013, passou quatro anos em O Globo antes de sair para realizar o sonho de trabalhar com música no Reverb. Em constante desconstrução, se interessa especialmente por cultura, política e comportamento. Ama karaokês, filmes ruins, séries bagaceiras, videogame e jogos de tabuleiro. No Hypeness desde 2020.

Especiais