Reverb

Hip Hop no Brasil: marco zero em SP celebra patrimônio cultural da humanidade

Redação Hypeness - 12/08/2021

Entre graffitis, cultura de rua e breaks, São Paulo é o berço do hip hop no Brasil. Com sua trajetória retratada no documentário “Marco Zero do Hip Hop”, o estilo musical tem inclusive uma homenagem gravada no chão do centro da metrópole.

Na esquina da rua 24 de maio com a Praça Dom José de Barros, local onde o movimento hip-hop foi tomando forma na década de 1980, uma pedra assentada lista os nomes dos dançarinos e precursores desta história.

Os bailes que antes ocupavam salões da zona central da cidade, como a Chic Show e o Clube Atlético Palmeiras, foram para as ruas onde se consolidaram.

Cultura de rua

“Lá em Pernambuco era maracatu, era frevo, tudo na rua. Eu já curtia dança negra”, conta Nelson Triunfo, considerado um dos percursores do movimento no Brasil. “A gente se encontrava nos anos 70 aqui em cima do Viaduto do Chá. Todos os negros vinham de sexta-feira com os black power, ligavam os Opalas e deixavam as fitas-cassetes rolando”. Na época eles não imaginaram como essa fusão ia desencadear um novo movimento de rua.

nelson-triunfo_hip hop centro sp-Divulgação/Gilberto Yoshinaga

Nelson Triunfo no centro de SP | Divulgação/Gilberto Yoshinaga

O documentário dirigido por Pedro Gomes – que também assina a direção de outro curta sobre o movimento, intitulado ‘Freestyle’, traz entrevistas com alguns dos nomes marcados neste ponto de São Paulo, além de imagens da época.

Além de Nelson Triunfo, estão no documentário nomes como Roneyoyo, Pepeu, Banks (da Back Spin), Alam Beat e MC Jack.

Das ruas de São Paulo para o Brasil

O que começou mais forte em 1983, atingiu o Brasil todo um ano depois, quando Nelson Triunfo e sua trupe da Funk Cia participaram da abertura da novela Partido Alto (1984), da TV Globo, com seus passos de break e ganharem fama nacional.

Poucos anos mais tarde, ainda no centro, mais precisamente na São Bento, surgiria aquele que podemos chamar de o primeiro disco de rap brasileiro, em 1988: Hip-Hop Cultura de Rua. A obra, feita em formato de coletânea, reunia rimas e beats de Thaíde, DJ Hum, Código 13, OCredo e MC Jack – este último, integrante do documentário.

É desse marco zero musical que vem a frase escutar o Hip Hop é coisa normal, entender o Hip Hop é onde está o mal, do grupo Código 13.  que se tornou um clássico e foi usada de sample em músicas como “Eu Tiro É Onda”, do Marcelo D2.

O sucesso deste primeiro álbum foi tanto que a gravadora Eldorado, responsável pelo lançamento, resolveu lançar um EP com dois destaques da coletânea: a faixa do grupo Código 13 e a do MC Jack.

Numa pegada remix, o disco traz batidas mais intensas e rápidas que o rap ouvido por aqui. Isso por que esse grupo era formado por B.Boys e tinham muita influência do Eletro Funk criado por Bambaataa, estilo que estava em grande evidência na época.

Passado um ano, em 1989, a gravadora lança mais uma coletânea, agora “Consciência Black, Vol. I”, que ficou responsável pelo boom de alguns dos maiores e mais respeitados grupos brasileiros de rap da da história, os Racionais MC’s.

Capa/Divulgação Racionais MC’s

O grupo formado por Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay, trouxe um rap de guerrilha, apontando as injustiças sociais contra pretos e pobres da periferia de São Paulo – que também representava a desigualdade sofrida em muitos cantos do país.

Hoje o hip hop e o rap reafirmam sua relevância enquanto visão periférica e marginalizada, trazendo importantes reflexões sobre a sociedade. Em 1997, os lançaram O álbum “Sobrevivendo no Inferno”, lançado em 1997 pelos Racionais MC’s figura não só como um clássico do rap nacional, mas também dos questionamentos feitos pelas pessoas nascidas e criadas às margens. Em 2018, o disco entrou como obra obrigatória no vestibular da UNICAMP.

Publicidade

Foto Nelson Triunfo: Divulgação/Gilberto Yoshinaga


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Especiais