Ciência

Incêndios na Sibéria queimam área do tamanho de Portugal e fumaça chega ao Polo Norte

Vitor Paiva - 20/08/2021

Os efeitos das mudanças climáticas e do aumento global de temperatura são tragicamente democráticos, e podem ser vistos e sentidos em toda parte do mundo – até mesmo na Sibéria. O incêndio florestal que castiga a República de Sakha, em Yakutia ou Lacútia, maior e mais fria região de toda a Rússia, já queimou mais de 9,2 milhões de hectares – uma área do tamanho de Portugal –, se estendendo por mais de 4,8 mil quilômetros e provocando uma fumaça tão densa que já alcançou, de acordo com os satélites da NASA, áreas do Polo Norte, a cerca de 3 mil quilômetros de distância.

Bombeiro lutando contra incêndio florestal na República de Sakha, na Rússia

Bombeiro lutando contra incêndio florestal na República de Sakha, na Rússia

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Segundo a agência espacial estadunidense, essa é a primeira vez dentro dos registros históricos que uma fumaça atinge o extremo norte do planeta – segundo representantes do Greenpeace, o quadro é tão grave e as queimadas são tão extensas que já não podem ser contidas com esforço humano, seguem crescendo e podem atingir até 400 mil hectares. Se tal previsão se comprovar, esse se tornará o maior incêndio já documentado na história, com efeitos ambientais igualmente sem precedentes.

Os focos de incêndio na Lacútia vem espalhando fumaça por milhares e milhares de quilômetros na região

Os focos de incêndio na Lacútia vem espalhando fumaça por milhares de quilômetros na região

Segundo autoridades russas já são quase 200 focos de incêndio na região

Segundo autoridades russas já são quase 200 focos de incêndio na região

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O ano de 2021 na Rússia apresenta o pior quadro de incêndios florestais desde 2012, com mais de 14,96 milhões de hectares queimados no país desde o início de janeiro. No mês de julho os satélites da NASA registraram que boa parte do país se encontrava coberto por fumaça em maior ou menor densidade, em quadro que vem se agravando especialmente desde maio, posicionando a região da Sibéria junto da Austrália, da Califórnia e do Pantanal brasileiro como alguns dos diversos pontos do mundo assolados pelo fogo com intensidade sem precedentes nos últimos anos.

Bombeiros em meio à fumaça no vilarejo de Kuel, na Yakutia

Bombeiros trabalhando em meio à intensa fumaça no vilarejo de Kuel, na Yakutia

Fumaça tomando conta do vilarejo de Kharyyalakh, em Sakha

Fumaça tomando conta do vilarejo de Kharyyalakh, em Sakha

-Fotógrafo capta imagens incríveis do vilarejo mais frio do planeta

Diante dos milhares de quilômetros de incêndios que precisam ser contidos, as autoridades e o corpo de bombeiros de Yakutia já afirmaram não ter capacidade de conter os focos de queimadas somente com os esforços humanos, tendo de contar com a sorte e a ajuda de cenários naturais para torcer por uma melhoria no trágico quadro. A região da República de Sakha é uma das tantas severamente afetadas pelas mudanças climáticas, tendo registrado um aumento de até 3ºC desde o início do século passado – a situação se agrava com decreto de 2015 pelo governo russo que permite que os incêndios florestais sejam ignorados caso o custo de conter o fogo seja superior aos danos estimados.

Bombeiro diante do fogo intenso no vilarejo de Kuel

Bombeiro diante do fogo intenso no vilarejo de Kuel

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.