Arte

Lina Bo Bardi: conheça obras icônicas da arquiteta além do MASP

Gabriela Rassy - 26/08/2021 | Atualizada em - 29/08/2021

À arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) não faltam denominações. Arquiteta, designer, curadora, editora, cenógrafa e pensadora, Lina é conhecida por assinar a autoria do icônico prédio do MASP, o Museu de Arte de São Paulo. Estampando o ponto central da Avenida Paulista desde 1968, o primeiro museu moderno no país não é nem de longe sua única obra de impacto.

O MASP se tornou um marco na história da arquitetura do século 20 e abriu passagem para tantos outros trabalhos que a colocariam como uma das arquitetas mais importantes da nossa história. Com base no uso do vidro e do concreto, Lina conciliou em seu projeto “as superfícies ásperas e sem acabamentos com leveza, transparência e suspensão”, como explica o site do museu.

Referência imagética da cidade e ponto de partida das tantas manifestações que acontecem anualmente, o vão livre foi pensado exatamente como uma praça pública. E fazemos bom uso dela nesse sentido.

Quando a gente nasce, não escolhe nada, nasce por acaso. Eu não nasci aqui, escolhi esse lugar para viver. Por isso, o Brasil é meu país duas vezes, é minha ‘Pátria de Escolha’, e eu me sinto cidadã de todas as cidades

Vivendo em uma Itália nazista, tomada pela falta liberdade, mas também de emprego, Lina e seu marido Pietro Bardi vieram para o Brasil em 1946 e aqui se naturalizaram.

Obras icônicas de Lina Bo Bardi

Outro marco da história de Lina, que se cruza com a de São Paulo, foi o Sesc Pompeia, na zona oeste da cidade. Construído num local onde funcionava uma antiga fábrica de tambores, o que lhe conferiu o nome de Fábrica da Pompeia, o prédio projetado pela arquiteta foi inaugurado em 1986, depois de 9 anos em obras.

Ela projetou não só o geométrico prédio de concreto que abriga a unidade do Sesc, mas também o mobiliário das mesas, bancos e balcões de madeira.

Antes ainda, em 1951, Lina Bo Bardi projetou sua própria residência, no bairro do Morumbi, em São Paulo. Apelidada de “casa de vidro”, a obra é considerada paradigmática do racionalismo artístico no país.

O espaço, que hoje é tombado e abriga o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, foi residência do casal por mais de 40 anos. A fachada imponente de vidro que parece flutuar sobre pilares está preservada como local de pesquisa e promoção da arquitetura, design, urbanismo e arte popular.

Em 1958, o casal vai para Salvador e lá Lina inicia um dos momentos fundamentais da carreira. Até hoje os espaços projetados por ela são marcos da arte e cultura da cidade, como o Teatro Castro Alves e o Teatro Gregorio Mattos, além do MAM.

Na segunda metade dos anos 1980, Lina retorna a Salvador para desenhar o plano de recuperação do centro histórico da cidade. Acompanhada de Marcelo Carvalho Ferraz e Marcelo Suzuki, a arquiteta faz o projeto da Casa do Benin, no Pelourinho, 1987, e a recuperação das encostas da ladeira da Misericórdia.

Já em São Paulo, faz ainda construção do Teatro Oficina, em 1984, que trabalha para dissolver a distância da relação palco-platéia com a criação de um teatro-pista, lembrando uma passarela de sambódromo.

Lina Bo Bardi deu um mergulhou profundo nas cultura brasileira, fazendo do país sua morada sul-americana e o ambiente perfeito de criação de sua linguagem tão única.

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Fotos destaque: Getty Images

Fotos internas: Getty Images, Gabriela Rassy e divulgação


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.