Inspiração

Malala: como a garota baleada na volta da escola se tornou voz ativa contra o Talibã

Redação Hypeness - 17/08/2021

Com a saída das tropas dos EUA do Afeganistão, o Talibã, grupo extremista que assumiu o poder do país, voltou ao noticiário. As práticas autoritárias do grupo se dirigem especialmente às mulheres, que sofrem restrições e não podem estudar e trabalhar em territórios controlados pelo regime. Uma das principais figuras que combateu a ditadura patriarcal do Talibã é Malala Yousafzai. Você conhece a história de Malala?

Vencedora do “Prêmio Nobel”, em 2014, por sua luta pela paz, Malala é uma garota paquistanesa nascida na região de Khyber Pakhtunkhwa, região de maioria étnica pachto que sofre ataques constantes do Tehrik-i-Taliban Pakistan, o Talibã paquistanês.

Desde pequena, Malala não concordava com a imposição do Talibã que proibia mulheres de estudar. Por isso, começou a escrever para um blog da BBC detalhando o terror que vivia sob a égide dos extremistas em sua vila.

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Quem é Malala

Aos 14 anos de idade, Malala foi vítima de um atentado enquanto ia para a escola. Um atirador mascarado deu tiros na cabeça da jovem, que foi socorrida e enviada para a Inglaterra, onde acabou se recuperando.

Ela se tornou um símbolo na luta pelo direito à educação e na luta contra o Talibã. Malala acabou de se formar em Ciência Política e pretende voltar ao seu país, o Paquistão, para promover a educação para mulheres.

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Yousafzai se pronunciou sobre a retomada do Talibã no Afeganistão e manifestou preocupação. “Assistimos em completo choque enquanto o Talibã assume o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupada com mulheres, minorias e defensores dos direitos humanos. Poderes globais, regionais e locais devem pedir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis”, disse no Twitter.

Malala aos 13 anos de idade, meses antes do ataque do Talibã

Após os ataques contra Malala, o Talibã chegou a se pronunciar afirmando que o atentado ocorreu porque eles enxergavam que a luta dela era contra o regime e não pela educação. Mas as coisas estão interligadas: o Talibã segue queimando escolas de mulheres e promovendo rígidas regras contra mulheres, algo que vai contra a leitura do próprio Corão, texto sagrado do islamismo.

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Segundo a socióloga Zahra Ali, uma das principais feministas islâmicas do mundo, o Alcorão é um texto que trabalha pela igualdade de gênero e as interpretações que levam a situações como a observada no Afeganistão e no Paquistão são deturpações do texto original. Malala, inclusive, não abandonou sua religião.

Agora, mulheres no Afeganistão lutam pelo seu direito de viver em liberdade e já se tornam alvo do novo regime do Talibã em Cabul. Os próximos capítulos dessa história serão cruéis, mas a mudança há de chegar.

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Fotos: © Getty Images


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