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Marina Sena canta seu pop universal em álbum solo: ‘vai bombar de primeira’

Gabriela Rassy - 11/08/2021 | Atualizada em - 12/08/2021

“Ah, que delícia o verão”. Foi o timbre único e solar de Marina Sena e do Rosa Neon que acompanhou meu verão de 2019. A música ecoava pela casa enquanto dançava feliz naquele momento pré-peste. No verão seguinte veio “Me toca”, que rapidinho virou o hit desses dias ensolarados, ainda que pandêmicos. Dali pensei: Marina vai voar.

Marina Sena canta seu pop universal em primeiro álbum solo: ‘vai bombar de primeira’

Neste 2021 ainda cheio de instabilidades, ela botou no mundo “Voltei pra mim”, mais uma faixa cheia de sensualidade, que já anunciava seu álbum solo. Depois de passar pela A Outra Banda da Lua, que lotava os bares e casas de Montes Claros, em Minas Gerais, e de chegar mais longe com o pop do Rosa Neon, ela prepara seu primeiro trabalho solo, com lançamento previsto para este mês de agosto.

Com “De Primeira”, trabalho de 10 faixas escritas ao longo dos últimos anos, Marina chega em uma sonoridade toda sua, pronta para o mundo. O lançamento acontece neste momento em que ela foi selecionada para o Foundry Artists, fundo de investimento em artistas musicais independentes do YouTube.

A edição de 2021 do fundo teve 27 artistas selecionados de 14 países e diversos gêneros musicais. Do Brasil, entraram Marina e a banda curitibana Tuyo. Já participaram deste fundo global de investimento artistas que hoje alcançaram grande sucesso como Dua Lipa, Rosalia e Arlo Parks. Aqui do Brasil, já tivemos MC Tha e Gabriel Guedes de Almeida em outros anos.

Conversei com Marina Sena sobre esta seleção, o lançamento do álbum, imagem e amor próprio, além da carreira solo e planos para o futuro.

Gabriela Rassy: Você teve lançamentos recentes, de 2019 e 2020, com duas bandas. Quais caminhos te levaram ao trabalho solo?

Marina Sena: Eu sempre tive em mim essa coisa de acessar mesmo as pessoas, para todo mundo gostar. Qualquer pessoa, de qualquer idioma, qualquer lugar, que a pessoa consiga sentir que aquilo ali pega. Pelo fonema, pela expressão da voz, pela batida. Sempre quis que meu trabalho fosse uma coisa universal, que mesmo um japonês lá do interior do Japão conseguisse escutar. E A Outra Banda da Lua já tinha mais ou menos isso. Parecia que qualquer pessoa conseguiria ouvir, mas aí depois a gente entendeu que era realmente muito regional. Aí o Rosa Neon veio numa pegada mais pop e foi quando eu realmente consegui acessar não só a minha região, mas o Brasil com a música. A Outra Banda da Lua era a banda de Montes Claros, mas não era a banda de Minas Gerais e não tava nem perto da banda do Brasil. Rosa Neon chegou fazendo a gente acessar o Brasil. Eu já tinha algumas músicas que eu compunha para todos os meus projetos – inclusive os hits das duas bandas, Cavalaria e Ombrinho, são músicas minhas. Daí que eu já tinha algumas músicas que guardava e falava ‘não isso aqui não é nem d’A Outra Banda da Lua e nem do Rosa Neon, isso aqui é meu, para eu interpretar sozinha, não é para ter pitaco de ninguém’. Pensava que eu teria as duas bandas e o meu projeto solo tudo junto. Aquela ilusão, achando que ia dar conta.

Gabriela Rassy: Como foi o processo de produção do álbum?

Marina Sena: Eu já tinha as músicas e sempre procurava alguém para produzir. Eu sou meio careta para essas coisas. Gosto da coisa de uma pessoa para produzir o disco, que pega o projeto de cabo a rabo e faz uma coisa unificada, bonita. Agora tem isso de cada música um produtor diferente. Eu fico meio assustada com isso. Queria uma pessoa só para produzir o disco inteiro. Eu tava nessa busca, mas ninguém me deu um fogo interior. Quando eu conheci o Iuri Rio Branco, que já produziu a Flora Matos, Jean Tassy, que são artistas que eu sou muito fã, eu falei ‘é ele que vai produzir meu disco’. A gente nem se conhecia pessoalmente, já mandei as guias para ele e nos próximos 10 dias ele já mandou cada dia uma música. Quando encontramos para gravar as vozes foi uma coisa tão natural.

Gabriela Rassy: E como foi essa comunicação à distância?

Marina Sena: Eu lembro que todo dia acendia uma vela porque eu não sabia como falar para ele o que eu queria. Tinhas as músicas, mas não tinha uma referência para saber o que que eu queria. Aí todo dia eu acendia uma vela e rezava: “Deus, por favor, faz com que ele faça o que eu quero sem eu precisar falar o que eu quero” (risos). Mas ele nem precisou entrar na minha mente. Ele é um profissional, já sabe que rumo a música tem que tomar, como ela vai ficar no final. E cada vez que ele me mandava, eu achava tão ousado! “Voltei para mim” era uma música voz e violão e de repente ela era muito diferente. Já tinha a letra há mais de cinco anos e de repente ela tomou forma. Fiquei chocada, não sabia se eu gostava, se tava diferente demais. Depois de ouvir algumas vezes vi que era exatamente o que eu queria, aí já começava a entrar no personagem daquela batida, daquela música. Foi encontro muito f*** eu e Iuri. A visão dele é muito parecida com a minha.

Gabriela Rassy: Você é uma pessoa de álbum ou de playlist?

Marina Sena: Eu amo álbum! Várias pessoas lançam, me perguntam se já escutei e digo que ainda não tive tempo. Porque eu não vou escutar por alto. O dia que eu for escutar o álbum vou chegar, deitar, apagar as luzes, fechar tudo, botar meu fone e escutar o álbum para prestar atenção em absolutamente nada, só no álbum. Por isso que tenho que tirar um tempo. Eu gosto de ter a sensação de escutar os arranjos, cada barulhinho, prestar atenção na letra, em tudo que a pessoa quis dizer.

Gabriela Rassy: Seu álbum solo deve sair ainda este mês. Como estão os preparativos?

Marina Sena: Já tô numa ansiedade! Vai chamar “De primeira” e vão ser 10 faixas. O nome é por que vai bombar de primeira, por que um álbum de primeira qualidade e por que minha avó falava uma coisa quando eu era criança que me marcou. Ela falava de primeira para falar de como as coisas eram antes no princípio, de primeira. Eu sinto que meu som tem uma característica nostálgica, de não ter uma época. Minhas canções, minhas composições eu acho que têm uma coisa meio nostálgica, parece que já existia, parece que você já ouviu antes. Elas estão produzidas tem quase um ano. Depois mixou, masterizou, mas elas já tem uma forma tem 1 ano, por aí. As letras eu já tinha tudo em voz e violão há muito tempo, algumas há 5 anos.

Gabriela Rassy: Você parece bem à vontade em frente as câmeras. Como lida com isso de aparecer? Bota a cara mesmo com tranquilidade ou tem todo um trabalho por trás?

Marina Sena: Bota a cara mesmo! Eu tenho minhas inseguranças igual todo mundo. Agora eu tô achando que eu sou uma pessoa sem queixo, quando tô de perfil. Vou ter que pôr queixo, que eu não aguento mais isso! (risos). Mas isso não me priva de ir lá e fazer foto, vídeo. Vai sem queixo mesmo! Quando você trabalha tirando foto – e olha que foto ainda dá para mudar tudo, dá para botar a bunda, tirar o que não quiser, essas fotos aí são tudo mentira -, mas vídeo é mais difícil de mexer. Véi, aí eu vejo umas parte do vídeo que eu dou uma franzida na testa que estraga a cena. Não precisava daquilo, mas é porque eu sou expressiva. Agora, eu não tenho queixo, mas eu sei que eu sou gostosa para c******. Pode ser que na minha foto de perfil não apareça, mas se me ver pessoalmente, vai ver que eu sou bonita.

Gabriela Rassy: Você reflete realmente uma imagem de bem estar com você mesma. Até eu me sinto gostosa assistindo!

Marina Sena: Eu sou bem aparecida, mesmo com todas as inseguranças que eu tenho. Tem gente que fala comigo como se eu fosse uma pessoa muito segura, que me amo muito, mas acho que tenho os mesmos problemas de autoestima que todo mundo tem. Tem dia que eu me acho a pessoa mais feia da terra, dia que eu fico emburacada, mas eu passo por cima disso e vou tirar foto. Não tô nem aí, tanto faz se minha autoestima tá boa ou não. Vou ter que ir lá e vou ter que bancar.

Suas músicas saíram acompanhadas de clipes. Como é o processo de criação da sua imagem?

Marina Sena: Eu gosto dessa coisa de sempre ter um clipe das minhas músicas. Eu já faço a música já pensando no clipe, já quero atuar aquela música, aparecer com a minha cara para falar da música. Quando eu era criança, eu achava que era um problema ser muito aparecida por que todo mundo falava, né. “Lá vem a Marina aparecida”. Mas depois eu entendi. Eu sou artista. Eu gosto de ser assim! Tô no meu lugar de direito (risos).  É bom que dá um equilíbrio. Eu respeito os quietinhos, adoro quietinhos, mas eu adoro gente que é extravagante também.

Gabriela Rassy: Como a seleção para o Foundry Artists do Youtube mexe com a sua carreira? 

Marina Sena: Não acredito que o YouTube tá me dando dinheiro, poxa, eu sou boa mesmo! Realmente, mamãe e papai, vocês fizeram direitinho (risos). Eles fazem uma divulgação para fora do país e eu tenho muito interesse que a minha carreira seja internacional por que eu sou pop, mas eu não acho que eu sou pop Brasil. O que é pop no Brasil é pisadinha, sertanejo, são outras coisas e eu não faço esse tipo de música. Minha música é um pop do mundo. Tem público para mim em todos os lugares do mundo e o Foundry vai me ajudar muito. Vai deixar de ser um lançamento Brasil e ser impulsionado em outros países. O YouTube fazendo isso vai me ajudar muito nessa meta que eu tenho de ser pop do mundo.

Gabriela Rassy: Você pensa em compor e cantar em outros idiomas?

Marina Sena: Demais! Eu adoro falar outras línguas e tem maior facilidade de aprender – não de aprender o significado, mais de fingir que eu sou do país. Eu pego o sotaque e consigo passar como se eu fosse de todos os lugares. Quero fazer um feat com a Mayra Andrade, criar e cantar em crioulo cabo-verdiano. Espero que role!

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Fotos: Sarah Leal/Divulgação


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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