Arte

Matemática e arte se misturam nas incríveis ilusões em 3D dos desenhos de Katy Ann Gilmore

Vitor Paiva - 20/08/2021 | Atualizada em - 23/08/2021

Os desenhos da artista estadunidense Katy Ann Gilmore são um perigo: misturando matemática e técnicas artísticas, a pintora transforma qualquer parede ou superfície em ilusões de ótica tão intensas que adjetivos como “inebriantes” e principalmente “impactante” podem se tornar literais. Basta olhar para um dos trabalhos criados essencialmente em preto e branco pra se imaginar que é possível de fato tontear ou mesmo dar de cara na parede ao se deixar levar pelo delírio que os desenhos parecem simular em quem os vê.

obra de Katy Ann Gilmore

Movimento, matemática e ilusão de ótica na obra de Katy Ann Gilmore

obra de Katy Ann Gilmore

Com linhas e curvas a artista transforma um ambiente

-Matemática ou mágica? Veja um círculo grande passar por um pequeno quadrado

A combinação entre os traços e os cálculos não é, no caso de Gilmore, simplesmente intuitiva ou metafórica: formada em artes, grego e também em matemática, é essa mistura entre disciplinas de seu repertório que acaba por formar seu processo especialmente metódico de criação e realização dos trabalhos. As formas, padrões, perspectivas, distorções e sensações entre 2D e 3D realizadas pela pena da artista são quase sempre previamente planejadas, calculadas, projetadas, em muitos casos inspiradas diretamente por elementos matemáticos como gráficos, equações ou fórmulas.

obra de Katy Ann Gilmore

As perspectivas se distorcem “dentro” dos desenhos de Gilmore

obra de Katy Ann Gilmore

Curvas e ângulos intensificam as sensações provocadas pelas obras

obra de Katy Ann Gilmore

A artista faz a maioria dos desenhos com caneta tipo pilot

-Proporção áurea: suposta descoberta matemática grega pode ter raízes africanas

“Eu sempre me interessei por matemática e arte e, sem querer abandonar um interesse por conta do outro, estou feliz em ter encontrado uma maneira de explorar minhas curiosidades sobre as maneiras que percebemos profundidade e compreendemos o espaço ao nosso redor”, comentou a artista em seu site. “Brincando com escalas, criei trabalhos tanto de somente alguns centímetros quanto metros de extensão. Essa flutuação na escala serve para trabalhar ideias e sensações de profundidade tanto em formato pequeno quanto grande”.

obra de Katy Ann Gilmore

A maior parte dos trabalhos é feita em tonalidades de preto e cinza

obra de Katy Ann Gilmore

A obra de Gilmore também é posta como peça de decoração – e vertigem

obra de Katy Ann Gilmore

A sensação de certas obras é de queda e derretimento das linhas

obra de Katy Ann Gilmore

Ângulos precisos fazem um desenho parecer um degrau de verdade

-Café 2D temático que te transporta para um mundo de apenas duas dimensões

Para criar o incrível efeito de seu trabalho, Gilmore combina linhas retas e curvas , bem como ângulos definidos para criar as impressões de profundidade e tamanho de seus desenhos. Triângulos, retângulos, quadrados e outras formas sugerem não somente a fundura e eventualmente a sensação de três dimensões, como até mesmo movimento e velocidade nas pinturas – que já foram publicadas no New York Times e outras revistas especializadas, e em museus como Art Market San Francisco, Seattle Art Fair, Art Palm Springs, VOLTA em Basel, na Suíça e VOLTA em Nova York.

obra de Katy Ann Gilmore

Na natureza o desenho de Gilmore parece de fato um túnel

obra de Katy Ann Gilmore

Algumas peças também lembram janelas – para outra dimensão

Katy Ann Gilmore

Katy Ann Gilmore em ação

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© fotos: Katy Ann Gilmore


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.