Debate

Médico que puxou máscara e beijou paciente à força já foi condenado por importunação sexual

Redação Hypeness - 12/08/2021

O cardiologista Walter Nei Nascimento, de Santos, no litoral de São Paulo, foi condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) por importunação sexual contra uma paciente, após ela denunciar à polícia que ele a agarrou durante uma consulta. 

O acusado ainda pode recorrer. Walter aguarda decisão de outras duas, pelo mesmo crime de importunação sexual. Três mulheres acusaram o médico de comportamento inapropriado durante consultas que ocorreram em 2017 – ele chegou a beijar uma delas à força. Os três casos seguem em segredo de justiça e o advogado Arnaldo Haddad, que representa o cardiologista, afirmou que o acusado não irá se manifestar sobre o assunto.

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O médico ainda segue com o CRM ativo

No caso em que foi condenado, a vítima prestou depoimento relatando que o médico tentou tirar o avental, aberto na frente, que usava para realização de um eletrocardiograma. A mulher disse ter sido agarrada quando colocava a roupa, após a realização do exame. “Aí que gostoso”, disse o médico segundo a paciente, que acusou ele de tentar beijá-la antes de ser empurrado por ela. 

Outra paciente procurou a polícia cerca de uma semana antes da outra mulher ir até buscar as autoridades, e registrou boletim de ocorrência contra o médico. Ele também foi processado criminalmente pelo ocorrido, mas não pode condenar o acusado pelas duas ocasiões, pois essa segunda paciente foi julgada pelo Juizado Especial Criminal (Jecrim).

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Relato

Recentemente, a terceira vítima, uma mulher de 53 anos, falou sobre o trauma em entrevista ao G1. De acordo com ela, o médico pediu que ela colocasse o avental aberto na frente para fazer eletrocardiograma, ela estranhou o toque do cardiologista, que começou a “massagear” seus seios. 

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Após a realização do que o médico chamou de “exame”, ele a puxou pelo braço e a abraçou, depois retirou sua máscara para dar dois beijos na bochecha. Incomodada com o comportamento do cardiologista, ela procurou a Polícia Civil no dia seguinte. O caso foi registrado como violência sexual mediante fraude na Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, onde segue sob investigação.

Relatos das vítimas demonstram padrão predatório por parte do médico

Violência médica

O consultório acaba sendo um local para se estar alerta sobre violência médica e sexual por parte dos profissionais. ​​Uma reportagem de 2019, do The Intercept Brasil, divulgou registro de 1.734 casos de violência sexual em instituições de saúde em apenas nove estados brasileiros que forneceram os dados de 2014 a 2019. 

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Já uma reportagem do UOL, divulgada em dezembro de 2020, revelou o cenário na rede pública. Por meio da Lei de Acesso à Informação, 82 boletins de ocorrência comprovaram que casos de estupro (tentativas e consumados), são constantes em casas de repouso, clínicas psiquiátricas, consultórios e hospitais. Os números apontam que, em média, há um registro de estupro dentro de um ambiente de saúde em São Paulo a cada 13 dias.

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Fotos: foto 1: Reprodução/unimed.com.br/foto 2: Getty Images


Redação Hypeness
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