Diversidade

Modelo trans de 24 anos faz história ao chegar na final do Miss África do Sul

Gabryella Garcia - 09/08/2021 | Atualizada em - 11/08/2021

Lehlogonolo Machaba, modelo sul-africana de 24 anos, pode fazer história e se tornar a segunda mulher transgênero a participar do concurso de Miss Universo. Machaba, que é a primeira mulher trans a participar do Miss África do Sul, se juntará a espanhola Angela Ponce caso vença o concurso e se qualifique para a etapa mundial. Em 2018 Ponce era uma das favoritas no Miss Universo mas acabou ficando de fora da final com as 20 melhores classificadas. Na ocasião, o título ficou com a filipina Catriona Gray.

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Em 2018, representando a Espanha, Angela Ponce foi a primeira mulher trans a participar do Miss Universo

A CEO da Miss South Africa Organization, Stephanie Weil, afirmou no mês de maio que desde que assumiu a organização da competição em 2019 tem o objetivo de ser mais inclusiva e abranger todos os membros da sociedade, sem qualquer distinção.

Como a primeira finalista transgênero do Miss África do Sul, Machaba afirmou a Reuters que deseja usar a plataforma para promover uma maior aceitação da comunidade LGBTQIA+.

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Sou grata por ter a oportunidade de tentar defender minha comunidade. Vi nos últimos meses como essas pessoas foram mortas. Você tem tópicos nas redes sociais sobre crimes de ódio contra a comunidade. Portanto, ser a primeira é um pouco opressor e também estou ansiosa com a questão de que as pessoas agora saibam que sou uma mulher trans“, afirmou.

A oportunidade de representar seu país veio depois que a África do Sul se juntou a um pequeno número número de países que aceitam competidoras trans em seus concursos de beleza como Estados Unidos, Espanha, Canadá, Brasil, Nepal e Panamá.

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Michaba afirmou que a morte de um amigo lhe deu forças para lutar pela representatividade

O Brasil, inclusive, esteve perto de ter uma representante trans em 2019. Na ocasião a carioca Náthalie de Oliveira participu do Miss Rio de Janeiro representando o munícpio de Bom Jardim. Se tivesse vencido a etapa, Náthalie estaria apta a participar do Miss Brasil, entretanto, acabou ficando na quinta colocação entre as 13 finalistas.

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Apesar de a África do Sul permitir a mudança da identidade de gênero na certidão de nascimento, a violência contra esse recorte da população tem aumentado nos últimos anos. Machada, inclusive, afirmou que a morte de um amigo próximo por um crime de ódio lhe deu forças para lutar por espaço e representatividade.

Significaria muito para mim, como mulher trans, ganhar o Miss África do Sul, mas também acredito que significaria muito para a nossa comunidade, mais especialmente na África do Sul. Isso mostraria que o país está quebrando fronteiras, que há uma mudança de muitas maneiras, mais especialmente em relação à comunidade LGBTQIA+“, finalizou.

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Em 2019 Náthalie de Oliveira esteve perto de ser tornar a primeira representante trans do Brasil no Miss Universo

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Foto 1: Getty Images / Foto 2: Facebook/Reprodução / Foto 3: Instagram/Reprodução


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.