Debate

Monja Coen se tornou embaixadora da Ambev e isso é muito bizarro

Redação Hypeness - 11/08/2021 | Atualizada em - 16/08/2021


Monja Coen é, talvez, o principal nome do budismo em terras tupiniquins há uns bons anos. A sacerdotisa da filosofia budista coleciona milhões de seguidores nas redes sociais, mais de 500 mil livros vendidos e um extenso portfólio de monitorias, palestras e outros tipos de serviço para o público.

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Monja Coen é a nova embaixadora da Ambev; mensagem de moderação não combina com dados sobre alcoolismo durante pandemia

Os conselhos bastante diretos da Monja sobre a vida se tornaram extremamente populares nas redes sociais, mas Coen já transmite o pensamento do budismo zen japonês de forma ampla desde os anos 90. A filosofia de vida que promove uma relação mais calma, serena e mediada com o mundo não parece ser condizente com o consumo de bebidas alcoólicas.

– Quarentena aumenta consumo de álcool e isso pode ter consequências graves 

Em uma live publicada no seu Instagram há uma semana, a Monja Coen afirmou ter se tornado uma ’embaixadora da moderação da Ambev’. A Ambev é a produtora das cervejas Brahma, Skol, Antarctica, Stella, além de vinhos, vodcas e outras bebidas alcoólicas e não-alcoólicas.

“Autoconhecimento é liberdade. A Ambev está falando sobre moderação e autoconhecimento e me convidou para ser embaixadora da moderação da marca Ambev. Eba! Você se conhece em profundidade? Você percebe qual é a necessidade verdadeira e quais são os limites de seu corpo e de sua mente? É preciso conhecer-se. O autoconhecimento nos liberta. Nos torna mais leves”, disse Coen.

Será que o autoconhecimento torna tudo mais leve? Enquanto a Organização Pan-Americana da Saúde revela que 35% das pessoas entre 30 e 39 anos estão tomando doses excessivas de álcool durante a pandemia e que o alcoolismo se tornou mais comum por conta do isolamento social, a Ambev dobrou seus lucros entre o primeiro trimestre de 2021 em comparação ao ano anterior. A receita da empresa foi de R$ 16,6 bilhões e o lucro de R$ 2,7 bilhões entre janeiro e março desse ano.

– Bebidas alcoólicas pesam no aumento da emergência climática, mas pouco é dito sobre o tema 

Tanto marca como embaixador chegam a um acordo comum. Será que a @monjacoen acredita mesmo nesse papo bem intencionado da Ambev que, concomitante a contratação desse discurso, investe pesado em outras frentes demonstrando completo descaso na preocupação com qualquer mensagem de autoconhecimento e moderação no consumo? Sinceramente, eu não sei aonde iremos chegar. Daqui a pouco podemos ter padres sendo embaixadores de Rivotril!. Será?”, afirmou a doutora em antropologia do consumo, Hilaine Yaccoub, no Instagram.

Confira a postagem de Yaccoub:


O caso de uma monja se tornando embaixadora de uma empresa de bebidas alcoólicas não é o primeiro a trazer esse debate para a mesa do brasileiro. Em 2014, o cantor Roberto Carlos abandonou o vegetarianismo que professou por anos em troca de um comercial para a Friboi.

– Disney é criticada por holograma projetado no Pão de Açúcar: ‘Não seja pateta’ 

Anos antes, o cantor Tom Zé havia feito propagandas cedendo sua voz a uma campanha da Coca-Cola. Criticado nas redes sociais, o baiano compôs um disco – talvez a peça inaugural do cancelamento no Brasil -, ‘Tribunal do Feicebuqui’. Mas o caso de Coen é um pouquinho diferente e levanta preocupação: até onde as marcas podem chegar para promover suas ideias?

A Ambev enviou ao Hypeness nota sobre a parceria com a Monja Coen. A empresa diz que o “intuito desse projeto nunca foi vincular a imagem da monja com algum produto nosso ou incentivar o consumo, mas sim falar sobre consumo responsável através do autoconhecimento, que é chave pra moderação”.

Confira a íntegra:  

“Gostaríamos de esclarecer que o intuito desse projeto nunca foi vincular a imagem da monja com algum produto nosso ou incentivar o consumo, mas sim falar sobre consumo responsável através do autoconhecimento, que é chave pra moderação. 

Anunciamos em 2020 nossa meta de ajudar 2,5 milhões de brasileiros a reduzirem o consumo excessivo de álcool até 2022. Trata-se de um compromisso público, que tem como objetivo oferecer ferramentas de ensino para que as pessoas compreendam suas relações com o álcool a partir de cinco comportamentos, sendo eles: autoconhecimento, contar doses, planejar o consumo, hidratar-se e diversificar o consumo. 

Veja a Plataforma de Moderação: https://www.ambev.com.br/sustentabilidade/consumo-responsavel/

 Temos um objetivo em comum com a Monja Coen, que é o de promover o equilíbrio e a moderação, tão necessários no momento atual. As mensagens são de promoção da saúde, não abordam produtos ou marcas. Acreditamos que juntos podemos construir um mundo melhor para todos”.

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Fotos: Reprodução/Instagram e Divulgação


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