Debate

Mulher em estado vegetativo há 20 anos pode ser menina desaparecida em 76 no ES

Karol Gomes - 05/08/2021 | Atualizada em - 14/09/2021

Apelidada de “Clarinha”, uma mulher desconhecida ocupa um leito do Hospital da Polícia Militar de Vitória desde que foi atropelada, em 2000. Sem nunca ter podido contar sua própria história ou ter sua identidade confirmada, sempre houve um mistério em torno da paciente em estado vegetativo, até agora, duas décadas depois do acidente. 

O grupo de papiloscopistas da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) se uniu ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para identificar Clarinha. Por meio de nota, ambas as instituições anunciaram uma nova etapa na investigação: o uso de uma técnica de comparação facial com buscas em bancos de dados de pessoas desaparecidas. 

Foram utilizadas pessoas com características físicas semelhantes às de Clarinha e, a partir desse trabalho, os papiloscopistas chegaram a uma criança desaparecida em Guarapari, em 1976, quando tinha 1 ano e 9 meses de idade. Na época do desaparecimento, a família da menina, que é de Minas Gerais, passava férias no Espírito Santo.

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Além das características e coincidência geográfica, tem a questão da idade. A menina desaparecida teria hoje a mesma idade estipulada para Clarinha: 40 anos. Mas, antes de confirmar a identidade, o MPES realizará outra etapa do processo de identificação, que consiste em analisar o perfil genético de Clarinha, que já foi enviado para a Polícia Civil de Minas Gerais, que mantém arquivados os dados dos pais da criança desaparecida em Guarapari.

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Clarinha deu entrada na unidade de saúde sem documentos pessoais. Várias formas de identificar a paciente foram tentadas durante as últimas duas décadas, todas sem sucesso. Mas, no ano passado, novos exames fizeram aumentar a expectativa pela descoberta da identidade da mulher.

Esta não é a primeira vez que a identidade de Clarinha é investigada. Em 2016, uma reportagem do “Fantástico” tornou seu caso de conhecimento nacional e atraiu 102 famílias tentando identificar a paciente como uma possível parente desaparecida. Mas, depois de alguns descartes e 22 exames de DNA, nenhum resultado levou a identidade da mulher. 

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Foto: Reprodução/TV Globo


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.