Diversidade

O que significa Queerbaiting e alguns exemplos para reflexão

Redação Hypeness - 11/08/2021

Imagine que você vai a um encontro romântico com alguém que te interesse. No meio da conversa, você percebe que a outra pessoa ama falar sobre um determinado assunto. O tema nem é tanto do seu agrado, mas você se esforça para fingir que também ama. É mais ou menos isso que as produções audiovisuais e até mesmo artistas fazem para conquistar o público LGBTQIA+ com o Queerbaiting

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O termo define uma estratégia de marketing usada para se aproximar da comunidade LGBTQIA+, dando a entender que os personagens de um projeto vivem um relacionamento homoafetivo, quando, na verdade, isso não fica claro no filme. Por exemplo: um longa que durante todo período de divulgação antes de sua estreia levanta a pauta de que dois personagens da produção não seguem padrões heteronormativos. No entanto, as cenas do filme nunca deixam essa informação clara.  Não há um movimento no roteiro que indique que a relação de fato aconteça.

A palavra une dois termos em inglês: “queer”, usado para se referir a minorias sexuais e de gênero, e “bait”, que significa “isca” em inglês. Em resumo: joga-se a isca para “pescar” os LGBTQIA+, mas sem perder o público conservador. Para a produção, fica a aparência de progressista e não se cria “polêmicas” (reflexos do preconceito) em volta do filme. Mas a verdade é que ela faz queerbaiting.

Pegue como exemplo o personagem Loki, da Marvel. Recentemente, a Disney lançou a primeira temporada da série que tem o Deus da Trapaça como protagonista. Na abertura da série, identificavam o irmão de Thor como não-binário. A informação foi uma novidade no Universo Cinematográfico Marvel. No entanto, a fluidez de gênero de Loki praticamente não foi abordada na tela. 

Loki e Sylvie, personagens da série do Disney+ “Loki”.

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Millennials e fãs de Harry Potter em geral vão se lembrar de como a autora J.K. Rowling afirmou que Dumbledore, um dos maiores personagens da saga, era um homem gay depois que todos os livros já haviam sido lançados. A orientação sexual do diretor de Hogwarts nunca foi abordada nos livros. Vale lembrar que a própria escritora tem sido duramente criticada em sua vida pessoal por conta de comentários transfóbicos sucessivos. 

Fora dos filmes e séries, artistas também se utilizam do queerbaiting para capitalizar em cima da suspeita de que, talvez, eles sejam abertos a se envolver em relacionamentos não heteronormativos. Há poucos meses, o fenômeno Billie Eilish foi alvo de críticas ao compartilhar um vídeo dançando em meio a um grupo de mulheres, durante as gravações do clipe de “Lost Cause“. Na legenda, ela escreveu: “I Love Girls”, “eu amo meninas”, em tradução livre.

Teve gente achando que Billie estava se assumindo como parte da comunidade LGBTQIA+, mas a situação pareceu ser mais uma de queerbaiting. 

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Billie Eilish no clipe de “Lost Cause”.

Qual é o problema?

Não é difícil perceber a problemática por trás desse mecanismo. Primeiro porque se usa de um tópico extremamente sensível e de necessária reflexão por parte da sociedade com o fim de simplesmente capitalizar. Não existe uma real intenção de que se reflita sobre a vida de pessoas LGBTQIA+, suas dificuldades, seus anseios e suas lutas. A única intenção é gerar buzz e lucrar com isso. 

Em segundo lugar, a estratégia de queerbating deposita naqueles que se identificam de verdade com a causa LGBTQIA+ um sentimento de frustração. As personagens que seriam lésbicas em um filme nunca vêem seu amor concretizado. O personagem de gênero fluido em uma série nunca tem a sua sexualidade como tema central. Tudo fica no campo das ideias, da imaginação e poucos se arriscam a concretizar o que acontece a vida real. 

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Fotos: YouTube // Unsplash


Redação Hypeness
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