Inspiração

Olimpíadas: doutora em matemática vence medalha de ouro no ciclismo

Veronica Raner - 06/08/2021

Ela chegou a Tóquio como uma completa desconhecida e vai deixar o país consagrada como campeã olímpica. Não se assuste se, em alguns anos, a história de Anna Kiesenhofer virar filme de Hollywood. Aos 30 anos, a austríaca com doutorado em matemática ficou em primeiro lugar no ciclismo, desbancando a campeã mundial de 2019, Annemiek van Vleuten

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Anne Kiesenhofer no meio da competição, que aconteceu no Circuito Internacional de Fuji.

Para se ter ideia, a própria Van Vleuten afirmou não saber quem era a vencedora até o dia da prova. “Eu tanto não sabia que ela estava inscrita que eu sequer a conhecia. O quanto é errado você não conhecer alguém?”, lamentou a holandesa. 

Anna Kiesenhofer se tornou ciclista profissional apenas em 2017, mas nunca fez parte de nenhuma equipe de ciclismo. Ela inclusive admitiu que sabia que não era ela quem estava prevista para ganhar em Tóquio. “Mas, sabe, existe sempre aquela pequena esperança de que é possível”, contou, em entrevista à “CNN”.

Anne é matemática, com um mestrado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e um doutorado em matemática aplicada pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona. Ela diz que a carreira acadêmica a ajudou a construir esse perfil de atleta mais independente. 

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O pódio do ciclismo de estrada: Annemiek van Vleuten (com a prata), Anna Kiesenhofer (ouro) e a italiana Elisa Longo Borghini (com o bronze).

Como matemático, você está acostumado a resolver problemas sozinho, então é assim que eu faço com o ciclismo”, diz. “Muitos ciclistas estão acostumados a ter gente que faz isso tudo por eles. Eles têm treinador, nutricionista, o cara que planeja a corrida para eles… Eu só faço todos esses trabalhos sozinha.” 

No começo da prova de 137 quilômetros, Anna e um pequeno grupo de ciclistas se destacaram do pelotão. Em determinado momento da prova, Anna estava tão à frente que confundiu boa parte das colegas de prova. Van Vleuten, que terminou em segundo lugar, chegou a comemorar sua vitória ao cruzar a linha de chegada, até ser avisada que ela havia terminado, na verdade, com a medalha de prata.

A atleta contou que não esperava terminar em primeiro. Na verdade, sua meta era concluir a prova entre as 15 primeiras colocadas, o que já seria a realização de um sonho. “Eu estava apenas tentando terminar a prova. Minhas pernas não aguentavam mais. Eu nunca me senti tão esgotada em toda a minha vida, eu mal podia pedalar mais. Senti como se não houvesse mais energia alguma nas minhas pernas”

Essa foi a primeira medalha de ouro da Áustria desde os Jogos de Atenas, em 2004, e Anne se tornou a primeira austríaca a conquistar uma medalha olímpica em uma categoria de ciclismo em 125 anos. 

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Eu ouso ser diferente. Tenho uma abordagem diferente e isso significa que eu também sou imprevisível. Foi exatamente isso que aconteceu. As pessoas não previram e não pensaram que eu poderia ganhar. Espero que minha história possa inspirar outras pessoas a não desistir e perseverar. Você tem que seguir a sua intuição”, completou. 

 

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Fotos: Getty Images


Veronica Raner
Jornalista em formação desde os sete anos (quando criou um "programa de entrevistas" gravado pelo irmão em casa). Graduada pela UFRJ, em 2013, passou quatro anos em O Globo antes de sair para realizar o sonho de trabalhar com música no Reverb. Em constante desconstrução, se interessa especialmente por cultura, política e comportamento. Ama karaokês, filmes ruins, séries bagaceiras, videogame e jogos de tabuleiro. No Hypeness desde 2020.