Sustentabilidade

ONU aponta agravamento inédito da crise climática; Brasil vive pior seca da história e Bolsonaro quer zerar imposto do diesel

Redação Hypeness - 09/08/2021

O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – órgão das Nações Unidas – mostrou que as mudanças climáticas causada pela ação humana no planeta já “irreversível, irremediável e irrefutável”. O documento, que reúne projeções diversas sobre a emissão de gases do efeito estufa e desmatamento, mostra que chegamos em um ponto absolutamente desastroso para a vida do planeta terra.

No último mês, os quatro cantos do mundo foram abalados por eventos climáticos extremos; foram enchentes na China, nos EUA e na Europa Central. No hemisfério sul, neve e temperaturas negativas que bateram recorde. Na Turquia e outros locais do mediterrâneo, incêndios de proporções nunca antes vistas. E agora, um relatório para dizer o óbvio: nosso sistema de produção não é capaz de conter o inevitável.

O relatório da ONU sobre o aquecimento global

O relatório completo do IPCC sobre a mudança climática possui cerca de 640 páginas e combina esforços de cientistas do mundo todo. O documento está sendo analisado dentro do noticiário como um ‘ultimato’ aos combustíveis fósseis, mas sua realidade é ainda mais assustadora.

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Os dados apresentados pelo relatório afirmam que as últimas quatro décadas foram as mais quentes desde 1850 e que a temperatura global já aumentou 1,07° C desde então. A tendência é que mesmo que zeremos amanhã a emissão de gases do efeito estufa, não conseguiremos conter um aquecimento maior do planeta Terra. Entretanto, com a redução da emissão de combustíveis fósseis e redução do desmatamento, talvez consigamos evitar que o aumento chegue a 2° C em 2100.

Painel de mudanças climáticas da ONU mostrou que situação do planeta é irreversível e que mudanças extremas precisam acontecer urgentemente

“Muitas das mudanças observadas no clima não têm precedentes em milhares, centenas de milhares de anos. Algumas das mudanças – como o aumento contínuo do nível do mar – são irreversíveis ao longo de centenas a milhares de anos”, diz o relatório.

Entretanto, nem tudo é apocalipse: segundo a pesquisa, reduções drásticas nas emissões de CO2 mantidas por trinta anos podem estabilizar a mudança climática. A questão é: será que os líderes mundiais estão dispostos a realizar essa transição para um mundo mais sustentável?

O papel do Brasil na estratégia de mudança

Segundo o Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, os países possuem uma “responsabilidade comum, porém diferenciada” sobre a questão ambiental. Estados Unidos e China, por exemplo, são os dos maiores emissores de gases do efeito estufa no planeta e, portanto, seu compromisso com a redução desses níveis deve ser diferente do estabelecido para países subdesenvolvidos como o Brasil.

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Entretanto, quando falamos no nosso país, temos de falar de três questões importantíssimas para a vida do planeta terra como um todo: a Floresta Amazônica – que está em constante ameaça pelo ruralismo -, o Aquífero Amazônico – considerado a maior reserva de água doce do planeta – e o Aquífero Guarani – considero o segundo maior aquífero do planeta. A responsabilidade diferenciada do nosso país pode até se dar no campo da emissão de gases do efeito estufa, mas nosso compromisso com esses espaços de vida é tão grande quanto o dos países desenvolvidos com suas indústrias.

Bolsonaro se alia a ruralistas para expandir desmatamento na Amazônia

O Brasil passa por uma de suas maiores secas da história, que tem resultado em uma esgotamento dos recursos hídricos. A falta de água nos reservatórios não é somente fonte de insegurança hídrica nas cidades, mas também uma preocupação para o sistema energético brasileiro, que sofre risco de apagão durante o verão (e a tendência, pasmem, é que a situação piore em 2022 por conta do fenômeno La Niña).

Entretanto, na semana em que as Nações Unidas reiteram a necessidade de um compromisso maior com a redução do uso de combustíveis fósseis, o governo federal analisa uma proposta para incentivar o consumo de diesel na malha logística do nosso país.

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O crescente preço nos combustíveis – oriundo de políticas do governo Temer que atrelaram o preço dos derivados de petróleo ao dólar – tem sido um motivo de insatisfação dentro da classe dos caminhoneiros, eleitorado importante para o atual presidente. E uma greve nas rodovias brasileiras pode ser o tipo de caos desnecessário para o governo brasileiro. Por isso, Bolsonaro estuda mais uma isenção no óleo diesel para os caminhoneiros.

Greve dos caminhoneiros foi momento de maior crise dentro do governo Temer; popularidade negativa recorde do presidente ocorreu com o desabastecimento de combustíveis

“Sabemos que o combustível está um preço, no meu entender, caro. Temos que buscar maneiras de reduzir o máximo possível. Eu não gosto de falar em promessas, mas eu gostaria de zerar o imposto federal do diesel a partir do ano que vem. Gostaria, vou me empenhar para isso. Não posso garantir que será feito. Não é uma promessa, é um estudo”, disse o presidente.

Portanto, fique atento: a tendência é que a questão climática se torne ainda mais relevante dentro da geopolítica e no nível interno brasileiro. A falta de compromisso do governo atual com o meio-ambiente já se tornou problema diplomático, mas para além das rodadas de Doha e reuniões do G20, o que está em jogo é a nossa vida. Se prepare.

 

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Fotos: Getty Images


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