Inovação

Pai desenvolve robô de quase R$ 1 milhão para filho com paralisia

Vitor Paiva - 10/08/2021 | Atualizada em - 13/08/2021

Uma condição neurológica impediu que o jovem Oscar Constanza, de 16 anos, pudesse andar por conta própria, mas graças a sua força de vontade e ao trabalho de seu pai, sua situação não o impede mais de andar: agora, com uma simples ordem dada a um exoesqueleto, Oscar pode caminhar com firmeza e independência. Seu pai é Jean-Paul Constanza, engenheiro de robótica e um dos fundadores da empresa francesa Wandercraft, responsável por fabricar o traje, e desenvolveu o exoesqueleto por um pedido direto e franco de seu filho, anos atrás.

Oscar Constanza com seu pai, Jean-Paul Constanza

Com uma ordem de voz o exoesqueleto oferece autonomia ao jovem Oscar © Facebook

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“Pai, você é engenheiro de robótica. Por que você não faz um robô que nos permitisse andar?”, teria perguntado o jovem, segundo relato do engenheiro, como motivador inequívoco a levar o pai a desenvolver a tecnologia. A condição neurológica de Oscar faz com que seus nervos não enviem sinais suficientes às pernas, impedindo assim o jovem de caminhar – agora basta ele dizer “Robô, levantar” para se colocar de pé e enfim se mover sem ajuda de ninguém.

Oscar Constanza com seu pai, Jean-Paul Constanza

Os próximos passos são para tornar o exoesqueleto mais leve e barato © Facebook

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O traje da Wandercraft oferece apoio para o usuário se manter de pé e também estimula o movimento do corpo, e diversas unidades já são utilizadas em hospitais na França, em Luxemburgo e nos EUA – um exoesqueleto da empresa é vendido por cerca de 176 mil dólares, valor equivalente a cerca de 915 mil reais. O traje, no entanto, ainda não é vendido em esfera individual e particular, e a empresa trabalha em uma versão mais leve e barata para introduzir a tecnologia para venda direta no mercado.

Walk.

Posted by Jean-Louis Constanza on Thursday, April 15, 2021

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São diversas as empresas atualmente trabalhando no desenvolvimento de exoesqueletos como o da Wandercraft, que hoje permite a Oscar diversas horas de autonomia todos os dias. Não é exagero supor que os exoesqueletos em pouco tempo poderão substituir as cadeiras de roda como meio de autonomia e movimento fundamental para os indivíduos necessitados. O uso dos exoesqueletos, porém, pode ir além, oferecendo também suporte e proteção para trabalhadores que passem muitas horas por dia de pé ou enfrentem situações de trabalho especialmente cansativas.

 

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© fotos: créditos/Facebook


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.