Diversidade

Paralimpíadas: 8 expressões capacitistas para riscar do dicionário

Gabryella Garcia - 31/08/2021 | Atualizada em - 06/09/2021

Os Jogos Paralímpicos Tóquio começaram no último dia 24 de agosto e com ele veio à tona uma importante discussão sobre expressões capacitistas que são usadas no dia a dia. Capacitismo é, por definição simplificada, o nome dado ao ato de discriminar pessoas com deficiência (PCD) – seja ela física ou mental – ao enxergá-las com um olhar de superioridade, como se fossem incapazes ou tivessem menos valor dentro da sociedade.

Paralimpíadas capacitismo Tóquio

Esse tipo de preconceito afeta não só os atletas paralímpicos, mas todos que convivem com alguma deficiência e encontram diversas barreiras de inclusão na sociedade. De acordo com o censo do IBGE, 23,9% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, representando 45 milhões de pessoas.

Termos capacitistas usam algum diagnóstico ou uma característica física de forma pejorativa para reforçar a imagem de que pessoas com deficiência são incapazes, imperfeitas ou sem valor. Por isso, é de extrema importância que mostremos, também na linguagem, que a deficiência não define ninguém!

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Para desconstruir essa ideia e fazer com termos capacitistas caiam em desuso, o Hypeness separou 8 expressões capacitistas que devem ser banidas do seu vocabulário para ontem:

  • Pessoas especiais – são pessoas comuns que possuem algum tipo de deficiência. Classificar a pessoa como especial denota que é necessária alguma condição especial para poder viver uma vida plena, o que não é verdade. Em especial os atletas são pessoas treinaram muito para obter seus resultados, e não precisam ser tratados como especiais.
  • Que mancada – é um termo extremamente preconceituoso que pode ser substituído, por exemplo, por “sacanagem” sem que o sentido da frase seja alterado. A expressão que significa “erro”, “lapso”, pode não fazer diferença na vida de quem a usa e não possui deficiências – mas machuca quem de fato manca para poder se locomover.
  • Seu retardado – Retardado é um jeito extremamente ofensivo de chamar uma pessoa com deficiência intelectual. Tão ruim quanto é usar a palavra pra xingar pessoas sem deficiência nenhuma: você acaba dizendo que PCDs são inferiores, que ser comparado é um insulto.
  • João sem braço – A palavra desentendido no lugar de “João sem braço” exprime a mesma ideia sem cunho preconceituoso. Com origem em Portugal, o termo se popularizou quando moradores de rua fingiam não ter um braço para conseguir mais esmola nas ruas. Não faz sentido relacionar a falta de um membro à mal caratismo, e a expressão reforça essa conexão.
  • Nossa equipe não tem braço – Outra expressão que relaciona membros do corpo com produtividade. PCDs têm capacidade de atuar, com excelência, em qualquer profissão. É possível substituir o uso da expressão por algo como: precisamos de mais funcionários ou contratações para entregar um resultado melhor.
  • Você é surda? – A expressão, que também às vezes vira “você é cega?”, sempre usa pessoas com deficiência como um parâmetro ruim de comparação. Falar um pouco mais alto e perto da pessoa ou simplesmente perguntar se ela te ouviu resolvem a questão.
  • Usou o problema como muleta – Usado constantemente contra pessoas com deficiência, a expressão ainda usa “muleta” como sinônimo de “desculpa”. Significando que alguém está usando seus problemas como pretexto para fugir das responsabilidades, o jogo de palavras dá a entender que uma pessoa que precisa de muletas é menos capaz que os outros.
  • Fingir demência – Outra expressão que coloca a pessoa com deficiência como inferior ou incapaz. A pessoa que reproduz essa frase pode substituí-la por: “pare de fingir que não entendeu”.

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Fotos: Getty Images


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.