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Príncipe Andrew: linha do tempo de ligação do 3º filho da rainha Elizabeth com crimes sexuais

Veronica Raner - 23/08/2021 | Atualizada em - 24/08/2021

A amizade do príncipe Andrew, do Reino Unido, com o financista americano Jeffrey Epstein (1953-2019) está levando o duque de York para um buraco cada vez mais fundo. O terceiro filho da rainha Elizabeth II foi considerado por investigadores americanos como “pessoa de interesse” no caso que analisa o envolvimento de Epstein e sua parceira de negócios, a socialite britânica Ghislaine Maxwell, com tráfico e exploração sexual de mulheres. 

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O príncipe Andrew aparece com a mão na cintura de Virginia em foto antiga; Ghislaine sorri ao fundo.

A notícia vem após Virginia Roberts Giuffre, uma das vítimas de Jeffrey Epstein, entrar com uma ação contra o príncipe Andrew em uma vara federal de Nova York, nos Estados Unidos. Ela acusa Andrew de tê-la estuprado em três ocasiões. A primeira, na casa de Ghislaine, em Londres, em 2001, quando ela tinha 17 anos. As outras duas teriam acontecido na casa de Epstein em Nova York e na ilha privativa do financista no Caribe. Na ocasião ela ainda seria menor de idade. Todas as acusações são negadas pelo príncipe. 

Há 20 anos, a riqueza, o poder, a posição e as conexões do Príncipe Andrew permitiram que ele abusasse de uma criança amedrontada e vulnerável, sem ninguém para protegê-la. Já passou da hora de ele ser responsabilizado”, diz parte do texto da ação movida contra o príncipe. Virginia alega que tinha medo de ser morta ou sequestrada por Epstein, por meio de seus contatos. 

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Melania Trump, Príncipe Andrew, Gwendolyn Beck e Jeffrey Epstein em uma festa em Mar-A-Lago, em 2001.

O termo “pessoa de interesse” é usado quando uma investigação não prendeu ou ainda não acusou formalmente algum investigado de ter cometido um crime. O termo é utilizado para se referir a alguém que pode não ter cometido um crime, mas que pode ser considerado como uma eventual testemunha. 

De acordo com o “Guardian”, promotores envolvidos no caso Epstein acusam o duque de York de se recusar a oferecer ajuda para o andamento do caso. Ele teria negado todas as tentativas de entrevistas solicitadas por autoridades federais. 

A informação foi negada pelos advogados do príncipe em junho do ano passado. Eles afirmaram que “o Duque de York se ofereceu para ajudar por ao menos três vezes, somente neste ano, como testemunha no Departamento de Justiça dos EUA”.

Donald Trump, Melania Trump, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell.

Primeira acusação veio em 2014, de uma corte na Flórida

O nome de Andrew foi citado pela primeira vez como envolvido no caso Epstein em 2014, quando dois advogados americanos disseram que ele era uma das figuras proeminentes que teriam abusado sexualmente de Virginia Giuffre. 

No ano seguinte, a mídia britânica passou a cobrar mais incisivamente que a família real se posicionasse sobre o caso. O Palácio de Buckingham negou qualquer envolvimento do príncipe com o escândalo. 

Virginia teria sido abordada por Ghislaine no resort Mar-A-Lago, de posse de Donald Trump, na Flórida, em 1999. Giuffre tinha apenas 16 anos e trabalhava lá como atendente do spa. Depois disso, ela foi coagida pelos dois para realizar sexo oral em Epstein. 

Em 2019, a vítima contou à “BBC” que foi vítima de tráfico de mulheres e que foi obrigada a manter relações sexuais com o príncipe Andrew e com outros amigos de Epstein sendo, inclusive, menor de idade quando os atos aconteceram. 

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Príncipe Andrew negou acusações em entrevista à “BBC”, em 2019

Em novembro de 2019, o príncipe Andrew decidiu ir à público pela primeira vez para falar sobre o caso. Ele concedeu uma entrevista de quase uma hora ao “Newsnight”, da “BBC”, em que nega todas as acusações. 

Eu posso certa e categoricamente te dizer que isso nunca aconteceu“, afirmou na época. 

No ano passado, Virginia afirmou que sua viagem à Nova York, na ocasião do estupro na casa de Epstein, foi bancada pelo próprio financista com a intenção de levá-la para manter relações sexuais com Andrew. 

Uma investigação do “Daily Mail” mostra que em abril daquele ano, o príncipe fez uma viagem de três dias para os Estados Unidos no mês de abril. Na agenda, estava incluída uma reserva de horário com duração de três horas para “atividade privada”.

A condenação de Jeffrey Epstein

Epstein foi condenado em 2008 por crimes sexuais. Em meados de 2011, a “BBC noticia que a amizade entre o financista americano e o príncipe britânico estava sendo cada vez mais criticada. Em dezembro de 2010, Epstein e Andrew foram vistos juntos durante um passeio no Central Park, em Nova York. 

Na época, o Palácio de Buckingham negou os acontecimentos em um comunicado enviado à “CNN”. “Nós negamos enfaticamente que o Duque de York tenha tido qualquer tipo de contato sexual ou relação com Virginia Roberts. Qualquer alegação no sentido contrário é falsa e sem fundamento”, dizia a nota. 

Jeffrey Epstein foi encontrado morto na cela em que estava, em Nova York, no dia 10 de agosto de 2019. Ele havia sido preso após investigações mostrarem sua ligação com um esquema de tráfico de mulheres e aguardava julgamento sobre o caso. 

Já Ghislane Maxwell foi acusada de cooptar adolescentes para fazerem parte do negócio entre os anos de 1994 e 2004. Ela foi presa pelo FBI em 2020 e negou as acusações. Agora, ela aguarda julgamento, que deve acontecer em novembro deste ano. 

 

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Fotos: Getty Images


Veronica Raner
Jornalista em formação desde os sete anos (quando criou um "programa de entrevistas" gravado pelo irmão em casa). Graduada pela UFRJ, em 2013, passou quatro anos em O Globo antes de sair para realizar o sonho de trabalhar com música no Reverb. Em constante desconstrução, se interessa especialmente por cultura, política e comportamento. Ama karaokês, filmes ruins, séries bagaceiras, videogame e jogos de tabuleiro. No Hypeness desde 2020.

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