Sustentabilidade

Receitas da Floresta: conheça as PANC, plantas que são alimentícias e você não sabia

Vitor Paiva - 25/08/2021

A relação humana com as florestas e o meio ambiente é um assunto que, pela própria grandeza do tema, muitas vezes parece um tanto distante de nós.  Mas essa temática está cada vez mais presente em nosso cotidiano, ainda mais quando o aquecimento global e as mudanças do clima já interferem diretamente na forma como vivemos.

Como tudo no meio ambiente se conecta, tais questões passam também por hábitos cotidianos, como a seleção dos alimentos que comemos diariamente. Para além das prateleiras dos supermercados e dos alimentos industrializados, as florestas que nos rodeiam podem funcionar como palco para as mais incríveis, inventivas e saborosas experiências culinárias, capazes de beneficiar diretamente a saúde humana bem como a saúde do próprio planeta. 

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É nesse ponto que entram em cena as chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais. Mais conhecidas como PANC, são plantas que podem perfeitamente servir como comida tanto em nutrição quanto em sabor, mas que não são consumidas em larga escala ou em âmbito nacional, ficando muitas vezes restritas à produção e a consumos regionais. Podem ser plantas exóticas e silvestres quanto partes costumeiramente não consumidas de plantas populares, como a folha da batata-doce ou da abóbora, o broto do chuchu, as flores do mamão, as folhas da quinoa ou o coração da bananeira.

Folha de ora-pró-nobis, uma das PANC mais populares no Brasil

Folha de ora-pró-nobis, uma das PANC mais populares no Brasil

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As possibilidades do uso das PANC, porém, vão muito além de simplesmente aproveitar alimentos em sua totalidade e podem afetar todo nosso cardápio, bem como o impacto da produção de alimentos ao meio-ambiente e da ingestão dessas comidas em nossa saúde. Tratam-se, portanto, de folhas, brotos e outras partes vegetais perfeitamente comestíveis, saborosas e em muitos casos especialmente saudáveis, mas que não se fazem presentes em nossos cardápios diários somente por questões culturais ou de mercado e que, justamente por não se submeterem às dinâmicas industriais de produção, são alimentos quase sempre orgânicos, livres de agrotóxicos e outros químicos prejudiciais.

Conhecer as PANC, assim como outros tesouros que a natureza nos oferece, amplia não só as possibilidades na culinária, como também aguça nosso olhar sobre o meio ambiente e transforma nossa relação com o mundo em que vivemos. Ao conhecer novas espécies, podemos preservar ainda mais a natureza.

Folha de abóbora

Folha de abóbora

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Em um país tão verde e plural em suas florestas e vegetações quanto é o Brasil, os exemplos são incontáveis, como as folhas do almeirão, da azedinha, da batata-baroa, da bertalha, da cana-do-brejo, do hibisco, bem como da ora-pro-nobis, da taioba – e seguem: picão-branco, beldroega, peixinho. Além das folhas, podemos citar também  o broto da abóbora, o fruto da araçá-una, os frutos secos da aroeira, o coco da brejaúva, o fruto do cajá-manga, as flores da cana-do-brejo, a capuchinha em sua totalidade, as sementes da chia, o fruto do cupuaçu, do murici, da pitaya-roxa, da sapota, e tantos mais.

Caferana, um fruto semelhante ao guaraná

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As plantas alimentícias não convencionais são personagens da série “Receitas da Floresta”.  Em cinco episódios, a renomada chef Kátia Barbosa e o ambientalista Jorge Ferreira entram na Reserva Natural Vale, em Linhares (ES), uma das maiores áreas protegidas de Mata Atlântica do país.

Na Reserva, eles buscam por elementos para compor novas receitas e valorizam o que vem da terra, mas nem sempre é escolhido como ingrediente na cozinha. Além das plantas alimentícias não convencionais, eles descobrem os 23 mil hectares de Mata Atlântica da Reserva Natural Vale, iniciativas voltadas à conservação ambiental e os projetos de pesquisa desenvolvidos no local. Conhecem também o compromisso da Vale em proteger e recuperar mais 500 mil hectares de florestas no Brasil até 2030, além de suas fronteiras, e o objetivo da Vale de se tornar uma empresa carbono neutra até 2050.

Em busca da conservação da Mata Atlântica

Desde que foi adquirida pela Vale, nos anos 50, a Reserva Natural Vale já catalogou mais de 3 mil espécies vegetais, mais de 1,5 mil morfoespécies de insetos e 103 espécies de mamíferos, além de 59 de anfíbios, 66 de répteis e 401 de aves. Nos últimos 30 anos, 116 novas espécies de plantas e 21 novas espécies de animais foram descritas com base nas pesquisas apoiadas pela Reserva.

Por toda essa atuação, o espaço já recebeu o título de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, concedido pelo Programa Homem e Biosfera (MaB – Man and the Biosphere), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Vale Carbono Neutra

Mantida pela Vale oficialmente desde 1978 como área destinada à conservação e à pesquisa científica, a Reserva Natural Vale também contribui para o compromisso da Vale com um futuro alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas. 

Até 2030, a empresa anunciou que pretende neutralizar suas emissões de gases do efeito estufa, diretas e indiretas (escopos 1 e 2), até 2030. Para isso, vai investir até US$ 6 bi para reduzir em 33% essas emissões. A estratégia de carbono da Vale está pautada em dois eixos complementares: redução de emissões por meio de soluções tecnológicas; e compensação das emissões residuais, via a implantação de Soluções Baseadas na Natureza, na qual se inclui também a meta florestal de recuperação e proteção de mais 500 mil hectares, além de quase 1 milhão de hectares que a Vale já ajuda a proteger ao redor do mundo.

Dos 500 mil hectares da meta, 400 mil são florestas já existentes que a empresa irá colaborar com a proteção e 100 mil correspondem a áreas degradadas que, por meio do Fundo Vale e de uma rede de parceiros, serão recuperados por meio de negócios agroflorestais de impacto socioambientais positivos. 

Prato de folha de taioba assada

Prato de folha de taioba assada

Os episódios da série “Receitas da Floresta” estão disponíveis no canal da Vale no Youtube.

Conheça mais sobre a série na página das Receitas da Floresta

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© fotos: Getty Images/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.