Tecnologia

Robô é criado para coletar bitucas em praia; tecnologia não substitui civilidade

Vitor Paiva - 06/08/2021 | Atualizada em - 10/08/2021

Para combater o problema da sujeira nas praias a melhor solução é mesmo a educação dos e das banhistas – especialmente se pensarmos que a maior parte do lixo nas praias é formada por pontas de cigarro. Como lamentavelmente nem sempre se pode contar com a consciência humana, dois engenheiros holandeses decidiram usar a tecnologia para para enfrentar esse dilema imundo, e criaram o BeachBot, um robô autônomo desenvolvido especialmente para retirar as bitucas das areias.

ponta de cigarro na praia

Os restos de cigarro formam grande parte do lixo nas areias das praias © Getty Images

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Para “ensinar” o robô a localizar e coletar os restos de cigarro nas praias os engenheiros Edwin Bos e Martijn Lukaart programaram o BeachBot com inteligência artificial da Microsoft – segundo consta, o sistema é capaz de localizar até mesmo as bitucas mais difíceis ou soterradas. A novidade está ainda em fase de testes, em trabalho para tornar a coleta ainda mais rápida e eficaz, e utiliza câmeras para desviar de pessoas e obstáculos durante o processo, que se conclui com as garras do robô vasculhando a areia, coletando a ponta e guardando o lixo em um recipiente.

BeachBot

O robô usa inteligência artificial para aprender a retirar as bitucas

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“Começamos com pontas de cigarro. Esse é o item com mais lixo do mundo”, diz Edwin Bos, co-criador do BeachBot, lembrando que, apesar de pequenas, as bitucas podem levar suas mais de 4 mil elementos químicos para os oceanos a partir das areias. “No futuro, queremos que os robôs detectem uma variedade de outros detritos”, sugeriu o engenheiro, planejando a tecnologia a ser movida por energia solar.

BeachBot

O robô não só limpa as areias como pode evitar que o lixo chegue às águas

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E para chegar a um melhor resultado e um robô mais inteligente, a novidade conta também com a participação do público – utilizando o aplicativo Trove para que fotógrafos possam enviar imagens de pontas de cigarro nas areias, a fim de ampliar o repertório da tecnologia. A iniciativa paga 25 centavos de dólares por foto como valor simbólico, a fim de envolver os participantes no espírito comunitário que move o desenvolvimento por uma causa maior: a saúde das praias, dos mares, do planeta. Além das fotos, porém, a melhor forma de participar é mesmo evitando o problema, deixando de jogar lixo nas areias.

BeachBot

Cada bituca pode levar 4 mil químicos para o mar

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© fotos: divulgação/créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.