Debate

SP gasta R$ 400 mil com fuzis para GCM e Padre Julio Lancellotti classifica ato como ‘desumano’

Redação Hypeness - 04/08/2021

O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) liberou uma verba de R$ 400 mil para a aquisição de 12 fuzis e 20 carabinas para a Guarda Civil Metropolitana.

A força de segurança municipal, que tem como função cuidar de praças, parques e outros patrimônios públicos, será equipada com armas de uso militar. A decisão foi criticada por ativistas e políticos.

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GCM não tem função de força policial e, quando surgiu, não tinha posse de armas; caminho da guarda tem mudado de propósito nos últimos anos

Segundo o Prefeito de São Paulo, a Guarda Civil Municipal tem cumprido papel de combate ao crime organizado por atuar em regiões como a Cracolândia e também age contra a pirataria. Qual a necessidade do uso de armas para essas questões? Boa pergunta.

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Segundo a secretária municipal de Segurança Urbana Elza Paulina, o equipamento não será usado no cotidiano da guarda. “Essas armas não serão utilizadas pelo efetivo normal. Somente pelo IOPE, que tem uma caraterística diferente das demais unidades da CGM. Eles terão treinamento e as armas só serão usadas em situações específicas”disse. Mas quais são essas situações?

Os especialistas em segurança pública afirmam que esses equipamentos darão uma nova função para a força de segurança.

“Com uso de armamento desse porte, a mensagem que passa é que a GCM vai partir para um papel de enfrentamento. Mesmo que isso aconteça, ela vai estar em desvantagem. O que só coloca em risco a vida do agente e desfigura totalmente a função primordial da guarda para a cidade, que é de prevenção, fiscalização e mediação de conflitos. Se isso se confirmar, há um desvirtuamento e estaremos dando muitos passos atrás. É um desperdício de dinheiro público e um desvio de função enorme dentro do conjunto de atores da Segurança Pública”, afirmou o o integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ivan Marques, ao G1.

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O Padre Julio Lancelotti conversou sobre a compra de fuzis para a GCM com à coluna de Leonardo Sakamoto, que publicou a notícia em primeira mão, O pároco conhecido por um trabalho importante com pessoas em situação de rua, criticou a decisão de gastar quase meio milhão de reais com armamentos.

“Com os R$ 400 mil, teríamos como alojar quase toda a população que está ficando na rua em meio a este frio em leitos de hotéis e pensões. Além de agasalhá-las e alimentá-las”, afirmou o ativista pelos direitos humanos.

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Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil


Redação Hypeness
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