Futuro

Talibã assume controle de depósitos minerais de 1 trilhão de dólares no Afeganistão

Vitor Paiva - 23/08/2021 | Atualizada em - 25/08/2021

Ao tomar o poder no Afeganistão, o grupo extremista Talibã conquistou não somente um país em ruínas e crise permanente, mas também o controle uma das maiores e mais valiosas reservas minerais do planeta. Em um momento de profunda expectativa humanitária, a respeito principalmente de como o grupo irá tratar a população feminina no país, as grandes quantidades de cobre, ferro, lítio, cobalto e terras-raras serão cartada fundamental para estabelecer relação com o resto do planeta, especialmente com países interessados em comercializar e explorar os minérios em território afegão.

Cano de um AK-47 saindo das paredes de uma mina no Afeganistão

Cano de um AK-47 saindo das paredes de uma mina no Afeganistão

-Afeganistão livre e colorido antes do Estado religioso e autoritário nesta série de fotos

Apesar de ser um dos países mais pobres do mundo, onde aproximadamente 90% da população vive abaixo da chamada linha da pobreza, com cerca de 2 dólares por dia, os recursos minerais do Afeganistão foram avaliados em cerca de 1 trilhão de dólares em relatório realizado por geólogos na região em 2010. Um relatório mais recente, porém, realizado pelo governo afegão em 2017, sugere que o valor pode ser o triplo e passar dos 3 trilhões de dólares em recursos a serem explorados, se forem incluídos na conta os combustíveis fósseis.

Minerador afegão com uma pequena pepita de ouro

Minerador afegão com uma pequena pepita de ouro

Cobre no Afeganistão

O cobre é um dos produtos minerais mais importantes do país

-Fotos sinistras do misterioso vale tóxico na Romênia assolado pela mineração

Ao longo das últimas décadas, o cenário turbulento e violento do país impediu que tais recursos fossem devidamente extraídos e explorados. Apesar do impacto ambiental, a demanda por combustíveis fósseis é ainda tragicamente imensa, mas os outros minerais abundantes no país podem ser peças econômicas fundamentais para as relações comerciais do Afeganistão nos próximos anos: o lítio, por exemplo, é usado na fabricação de baterias, smartphones, laptops e diversos outros eletrônicos, e o cobre vê um crescimento de 43% na demanda desde o ano passado.

Especialista analisando esmeralda afegã

Especialista analisando esmeralda; a mineração é parte fundamental da economia do país

-Malala: como a garota baleada na volta da escola se tornou voz ativa contra o Talibã

Apesar do quadro humanitário potencialmente trágico que o retorno do grupo ao poder sugere no país, países como Rússia e China já demonstraram interesse em negociar com o governo Talibã e até mesmo explorar o minério do país. A instabilidade política, o quadro de corrupção disseminada, a falta de estrutura efetiva para a exploração de minério e o desrespeito aos direitos humanos ainda afasta o interesse internacional de investidores no país. A possível cooperação entre China, que produz mais da metade dos produtos industriais do planeta, e o novo Afeganistão poderá, portanto, colocar o mundo – e os EUA – em mais um dilema econômico e de consumo.

Antigo acampamento minerador abandonado nas montanhas afegãs

Antigo acampamento minerador abandonado nas montanhas afegãs

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.