Sustentabilidade

Talude de mina rompe e soterra carros perto de BH; MG convive com medo pós-Mariana e Brumadinho

Redação Hypeness - 10/08/2021

O talude – declive na terra que delimita um aterro – de uma mina da Itaminas em Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte, se rompeu. Não há vítimas, mas três veículos – uma moto, um carro e uma escavadeira – foram soterrados pelo deslizamento de terra.

O acidente não apresenta riscos e não tem relação com as barragens de rejeitos – ou, como conhecemos melhor, a lama da mineração -, mas acende o alerta vermelho para a questão amplamente conhecida do impacto e do risco das mineradoras no estado de Minas Gerais.

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Acidente ocorreu durante uma drenagem no aterro da mineradora; não há vítimas

A Itaminas, responsável pela área, afirma que a barragem é segura e que não há riscos de deslizamento. Entretanto, uma sirene de alarme para acidentes na mineração só foi instalada em 2019, após o massacre de Brumadinho. O alerta vermelho para as três barragens B1, B2 e B4 já é conhecido pela população e, ainda que o acidente de hoje não tenha relação com essa possibilidade, a questão é delicada.

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“Em caso de rompimento, seria um massacre. A zona de auto-salvamento tem uma população de mais de 4 mil pessoas, dos bairros Santa Rosa de Lima, Brasília e Riacho da Mata. E a Itaminas não instalou sequer uma sirene na cidade. A lama de rejeitos chegaria em seguida no Paraopeba, uma segunda morte do rio”, explica Henrique Lazarotti, advogado que atua na região do Médio Paraopeba, ao jornal Brasil de Fato.

Minas, um estado refém

Minas Gerais carrega no próprio nome a mineração. Como já diria Drummond sobre Itabira – noventa por cento de ferro nas calçadas, oitenta por cento de ferro nas almas -, a atividade econômica da mineração carrega o PIB de Minas Gerais, terceiro maior do Brasil.

Entretanto, após os acidentes nas barragens de Mariana e Brumadinho, em 2015 e 2019, respectivamente, a questão da mineração deixou de ser celebrada e se tornou um risco. A atividade desenfreada das mineradoras no estado e a falta de regulação de uma classe política subserviente aos interesses privados acabou diretamente com centenas de vidas e diversos setores econômicos foram gravemente afetados por esses acidentes.

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E o problema não acaba por aí. São 364 barragens no estado de Minas Gerais – maior número do país – e 10% delas estão em situação de emergência por irregularidades em sua estrutura. Quatro delas estão em risco iminente de desabamento: Mina Gongo, em Barão de Cocais, barragem B3/B4, em Nova Lima e Forquilha 1 e 3, em Ouro Preto. Todas elas são da Vale, responsável pelos acidentes em Mariana e em Brumadinho. Outras 40 estão apresentando problemas e podem chegar a esse problema.

Entretanto, como observado no péssimo acordo selado entre Romeu Zema (Novo) e a Vale nesse ano, a tendência não é que a responsabilidade das mineradoras aumente com o risco iminente. Pelo contrário.

A Itaminas – responsável pela barragem em Sarzedo – selou, recentemente, um acordo com o governo mineiro. A empresa devia mais de R$ 500 milhões em impostos para o estado, e quitou o montante com a doação de vinte obras de arte para o governo.

Entre as negociatas entre governos e empresários, há uma população refém de uma sirene para poder sair de sua casa fugindo de um mar de lama que destrói vidas humanas, rios e animais.

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“Infelizmente, a gente não deveria se preocupar em fugir da lama. Mas como existe barragem, existe alarde, porque ela nunca é 100% segura. A gente precisa saber quais são as casas, os lugares que podem ser atingidos caso algo aconteça. Precisa saber onde serão as áreas de salvamento, qual é o tempo que cada um tem para correr. Quando vão divulgar isso?”, afirma a moradora de Sarzedo, Janaína Freitas, ao Brasil de Fato.

 

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Fotos: Destaques: Foto 1: Reprodução/Twitter Foto 2: © Getty Images


Redação Hypeness
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