Ciência

Teoria de Einstein é confirmada por cientistas que observaram luz atrás de buraco negro

Vitor Paiva - 03/08/2021 | Atualizada em - 04/08/2021

A observação de raios-x lançados por um buraco negro por astrônomos da Universidade de Stanford confirmaram, mais uma vez e mais de 100 anos depois, a famosa teoria da relatividade determinada pelo astrofísico Albert Einstein em 1905. Após uma série de clarões de raios-x, os telescópios registraram em seguida luzes extras em que os raios-x eram menores e com coloração diferente em relação aos primeiros clarões: essa é a primeira observação direta de luz por trás de um buraco negro, como Einstein previu no passado com sua teoria.

Criação artística de um buraco negro supermassivo

Criação artística de um buraco negro supermassivo © Getty Images

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A observação se deu sobre um buraco negro supermassivo localizado em uma galáxia a 800 milhões de anos-luz de distância da Terra, e o raríssimo fenômeno foi notado pelo cientista Dan Wilkins. “Qualquer luz que entra naquele buraco negro não sai, então não devemos ser capazes de ver nada que esteja por trás do buraco negro”, afirmou o cientista do Instituto Kavli para Astrofísica de Partículas e Cosmologia, de Stanford, e do SLAC National Accelerator Laboratory – em seguida o artigo explica a singularidade do fenômeno observado, e o início da explicação da descoberta.

Imagem de um eco de raio-x em um buraco negro no centro da Via Láctea

Imagem de um eco de raio-x em um buraco negro no centro da Via Láctea © Wikimedia Commons

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“A razão pela qual podemos ver isso é porque aquele buraco negro está deformando o espaço, dobrando a luz e torcendo os campos magnéticos em torno de si mesmo”, explicou o cientista, apontando a relação com a teoria que revolucionou o entendimento humano sobre gravidade, espaço e tempo, que demonstrou a expansão do universo e a existência dos buracos negros. “Há alguns anos venho construindo previsões teóricas de como esses ecos aparecem para nós”, afirmou Wilkins. “Eu já os tinha visto na teoria que vinha desenvolvendo, então assim que os vi nas observações do telescópio, pude descobrir a conexão.”

A primeira foto de um buraco negro, registrada em 2019

A primeira foto de um buraco negro, registrada em 2019 © NASA

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“Cinquenta anos atrás, quando os astrofísicos começaram a especular sobre como o campo magnético poderia se comportar perto de um buraco negro, eles não tinham ideia de que um dia poderíamos ter as técnicas para observar isso diretamente e ver a teoria geral da relatividade de Einstein em ação”, Afirmou Roger Blandford, co-autor do artigo. Intitulado “Light bending and X-ray echoes from behind a supermassive blach hole” (Torcendo a luz e captando ecos de raio-x de trás de um raio negro supermassivo, em tradução livre), o artigo foi publicado na revista Nature, e pode ser lido em inglês aqui.

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.