Diversidade

Transexual indígena celebra posto de cacique em aldeia do MT

Redação Hypeness - 17/08/2021

Indigena, transexual e cacique. Aos 30 anos, Majur Traytowu fez história na Aldeia Apido Paru da Terra Tadarimana, em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Ela está no cargo mais alto há cerca de um mês, após o pai, de 79 anos, ter se afastado do trabalho para cuidar da saúde. 

Mas a experiência de Majur é acumulativa, de muitos anos participando de reuniões, eventos e outros assuntos que envolvem a comunidade. Aos 27 anos, quando a família fundou a Aldeia Apido Paru, ela passou a ajudar o pai nas tomadas de decisões.

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Majur tem cerca de 20 irmãos por parte de pai e de mãe

Transição

Majur conta que começou a se perceber trans ainda na infância, aos 12 anos. “Fui me observando e cheguei a conclusão que sou trans. Meu comportamento, os gostos e também a atração por outros meninos foi crescendo. Foi então que descobri que nasci em um corpo de homem, mas com espírito de mulher”, relatou ao G1.

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Segundo Majur, foi na mesma época que sua vontade de se tornar uma liderança Apido Paru começou a crescer. De acordo com relato da indígena ao G1, os caciques são escolhidos por uma votação que geralmente acontece a cada dois anos. No entanto, os demais indígenas habitantes da Aldeia Apido Paru aceitaram, sem questionamentos, que Majur assumisse a liderança da aldeia, diante de sua experiência ao lado do pai. 

“Faz tempo que atuo como ‘cacique’, pois antes do meu pai tomar as decisões, ele passava por mim e eu dava a palavra final. Há um mês, ele ficou doente e tive que me assumir como cacique da aldeia. Todos me deram total liberdade para tomar as decisões das coisas, mesmo sendo o filho caçula”, explicou.

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Com área de aproximadamente 10 mil hectares, a reserva indígena Tadarimana possui cerca de 800 indígenas divididos em sete aldeias. Majur já enfrentou a dúvida de ir para a cidade em busca de estudos ou ficar próxima dos seus. Em 2017, após concluir o ensino médio, passou em uma prova em Goiânia para cursar fisioterapia e antropologia e, no mesmo período, também foi aprovada em um processo seletivo para agente de saúde indígena. 

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Ela tomou a decisão que julgou necessária na época. “Estava entre ‘a cruz e a espada’. Ou eu me mudava para a cidade fazer faculdade ou ficava para cobrir a vaga de posto de Agente Indígena de Saúde (AIS). Decidi ficar e trabalhar para estar mais perto do povo. Hoje tenho mais de três anos como agente e agora também assumo o posto de cacique da minha aldeia”, contou. também ao G1.

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Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução


Redação Hypeness
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