Viagem

Turista que ia passar final de semana fica presa em ilha durante pandemia: ‘Nunca usei máscara’

Vitor Paiva - 25/08/2021

Quando a britânica Zoe Stephens viajou para a ilha de Tonga, o plano original era passar um simples final de semana de lazer e descanso no cenário paradisíaco. A viagem ao país integrante da Polinésia e formado por 177 ilhas “começou” em março do ano passado, quando a jovem de 27 anos morava na China já há dois anos e meio, e foi motivada pelo desejo de “fugir” da Covid-19: passados 18 meses, e após a epidemia chinesa se transformar em uma pandemia global, Stephens segue em Tonga, vivendo em uma casa à beira da praia em um dos únicos lugares do mundo que permanecem completamente livres da doença.

Zoe Stephens em Tonga

A jovem britânica chegou a Tonga pra um final de semana – em março do ano passado

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O estado de emergência foi declarado em Tonga ainda no próprio mês de março de 2020, logo após a jovem desembarcar no país, que se manteve fechado para qualquer entrada estrangeira desde então e até hoje. Inicialmente seu plano era retornar à China, mas diversas tentativas frustradas ao longo dos seis primeiros meses lhe fizeram perceber que não conseguiria retornar à vida de antes: mesmo as possibilidades de viajar do arquipélago para o Reino Unido foram sistematicamente inibidas pela alta incidência de casos do novo Coronavírus na Inglaterra – e assim ela foi seguindo em Tonga, sem precisar vestir uma máscara sequer no período.

Nuku'alofa, capital da Tonga

As ruas vazias da capital, Nuku’alofa

Zoe Stephens em Tonga

Stephens está cuidando de uma casa na ilha

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Desde então ela vem trabalhando como cuidadora de uma casa para uma família que justamente não pode retornar à ilha, e iniciou um mestrado em comunicações internacionais, que vem cursando de forma inteiramente online – e, ainda que estar em uma ilha paradisíaca e sem Covid-19 possa parecer a maior sorte do mundo,  o justo isolamento, também da família e amigos, vem sendo motivo de dificuldade para a jovem, que também enfrentou um ciclone que alagou a casa poucos meses depois de sua chegada. Stephens já estava viajando quando os primeiros casos da doença começaram a ser confirmados na China, e conforme o quadro se agravou ela foi decidindo não retornar – e foi para Tonga quando a situação já se encontrava espalhada pelo mundo.

A casa de Zoe Stephens em Tonga após o ciclone

A casa de Zoe Stephens após o ciclone que passou pela ilha no ano passado

Zoe Stephens em Tonga

Apesar da “sorte”, ela garante que ver a pandemia de longe também provoca ansiedade e angústia

Zoe Stephens em Tonga

Apesar de livre da pandemia, o temor em Tonga é grande com a possível chegada do vírus por lá

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Ela conseguiu tomar duas doses da vacina no país e pretende voltar ao Reino Unido no final do agosto mas, depois de tantas tentativas frustradas, sabe que nada ainda é efetivamente certo. E ainda que o vírus propriamente não tenha chegado a Tonga, os impactos da pandemia podem ser sentidos, segundo a jovem, no impacto econômico da ausência de turistas e na própria ansiedade geral a respeito do resto do mundo e a apreensão pelo momento em que o vírus chegue por lá, em um país que, com cerca de 100 mil habitantes, mais de 20% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Zoe Stephens tomando a vacina em Tonga

Stephens tomou duas das 24 mil doses de vacina enviadas para Tonga

Zoe Stephens em Tonga

A jovem pretende voltar ao Reino Unido no final do mês

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© fotos: Zoe Stephens


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.