Ciência

A gordura é um órgão complexo e vital. Por que fomos ensinadas a odiá-la?

Redação Hypeness - 21/09/2021 | Atualizada em - 07/10/2021

Sem a gordura, nós estaríamos mortos. Sem a gordura, os seres humanos não existiam da maneira como são. Na verdade, gordura representa vida. ” A afirmação é do biólogo evolucionista Daniel Lieberman , da Universidade de Harvard . Ele é um dos entrevistados do curta documentário ” Uma breve história da gordura e por que odiamos ” (“Uma breve história da gordura e por que a odiamos”, em tradução livre), produzido pela revista “Slate“.

‘Uma dieta com pouca gordura é uma boa ideia para a saúde?’, Questiona manchete de um jornal antigo.

O filme faz parte de uma série sobre diabetes estabelecido pelo Laboratório de Comunicação de Ciência em parceria com a publicação. Ele mostra o que está por trás do ódio da humanidade à gordura e como esses compostos atuam em nosso corpo. 

Do século XX para cá, a gordura passou a ser vista como a grande vilã do corpo humano – especialmente para as mulheres. A ditadura da magreza e os padrões irreais de beleza colocam um peso nos ombros femininos de que ser magra é o ideal e gorda é ruim . O discurso simula uma preocupação com a alheia de saúde quando, na verdade, está mergulhado em gordofobia .

Gordofobia: por que corpos gordos são corpos políticos    

Nós associamos a magreza com saúde e, claro, a magreza é uma coisa totalmente diferente. Claramente, há enormes fatores ligados à forma como graus relativos de obesidade ou magreza são percebidos. Obviamente, não é algo que está embutido no homo sapiens, porque há lugares no mundo onde é diferente e há épocas e épocas em que tem sido diferente “, afirma Stephen O’Rahilly , bioquímico e físico da Universidade de Cambridge. 

Ele cita o exemplo do pintor barroco Peter Paul Rubens (1577-1640). Na época em que o artista viveu, o ideal de beleza era completamente diferente do que é visto hoje em dia. As mulheres retratadas como belas pelo holandês não consideradas dentro dos padrões de beleza atuais. 

A gordura não existe apenas para ser desagradável e cosmeticamente perturbadora. Ela existe por um motivo “, lembra O’Rahilly.

O pesquisador Bruce Spiegelman , biólogo da Universidade explica que, no processo de evolução, armazenar gordura foi uma vantagem apresentada pelos mamíferos na colonização de ambientes hostis. 

A gordura não está no nosso corpo apenas para alterar a nossa fisionomia. Ela é um órgão complexo que tem funções importantes na manutenção saudável do nosso organismo. 

Ela se comunica com os músculos, se comunica com o fígado, com o cérebro e permite que todos os outros tecidos saibam qual é o nível de armazenamento de energia no corpo. ‘Nós devemos diminuir o apetite? Nós devemos aumentar o apetite?’ “, conta Spiegelman. É tudo uma rede entrelaçada que permite que o corpo realize suas funções sem perder o controle.

De acordo com os pesquisadores entrevistados, até mesmo humanos com níveis muito baixos de gordura corporal possuem níveis muito altos se comparados a outros primatas. Esses costumam ter entre 5% e 8% de gordura corporal. Em seres humanos, o percentual fica entre 15% e 25% para mulheres e 10% a 15% para homens. 

 

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Fotos: Wikimedia Commons


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