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Bitcoin: entenda golpe de pirâmide financeira que levou à prisão de homem com R$ 14 milhões em casa

Redação Hypeness - 01/09/2021

Até 2014, Glaidson Acácio dos Santos trabalhava como garçom na Orla Bardot, ponto turístico conhecido de visitantes de classe alta em Búzios, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, sua vida começou a mudar graças a um esquema fraudulento de pirâmide envolvendo investimentos em bitcoins, uma criptomoeda, que movimentou mais de R$ 38 bilhões em seis anos.

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Glaidson posa sorrindo ao lado da mulher, a venezuelana Mirelis Yoseline Díaz Zerpa. (Foto: Arquivo pessoal)

Glaidson foi preso no último dia 25, em uma mansão de luxo no Rio, após investigação da Polícia Federal em atuação conjunta com o Ministério Público Federal e a Receita Federal. Ele é o dono da GAS Consultoria Bitcoin, principal alvo da Operação Kryptos. Na casa dele, foram encontrados quase R$ 14 milhões em espécie, além de £ 100 e outros valores em moeda estrangeira, que não foram contabilizados.

A empresa tem sede na cidade de Cabo Frio, atual paraíso de golpes de pirâmide financeira. A ocorrência é tanta que o município passou a ser chamado de “novo Egito”. De acordo com a investigação, a empresa operacionalizava um sistema “calcado na efetiva oferta pública de contrato de investimento, sem prévio registro junto aos órgãos regulatórios, vinculado à especulação no mercado de criptomoedas, com a previsão de insustentável retorno financeiro sobre o valor investido”.

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A mansão de luxo em que Glaidson foi preso, no Rio de Janeiro. (Foto: TV Globo)

A GAS Consultoria atraía investidores de todo o país ao prometer, por contrato, ao menos 10% de retorno por mês a quem quisesse investir em bitcoins. Entretanto, a garantia de um retorno tão significativo como esse só seria permitida com um ingresso de recursos constantes, como explicou o auditor fiscal da Receita Federal, Michel Lopes Teodoro, ao “Fantástico”, da “TV Globo”. 

No Brasil, operações financeiras como as prometidas pela GAS Consultoria só são permitidas se seguirem os parâmetros impostos pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários. Uma pesquisa da CVM mostra que criptomoedas representam mais de 43% de todas as denúncias sobre fraudes financeiras do país.

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Glaidson, à direita, está preso no Complexo de Bangu, no Rio.

De acordo com informações obtidas pela “TV Globo”, Glaidson planejava fugir do país. Ele estava sem passaporte, uma vez que tentava obter um visto para viajar para os Estados Unidos. Assim, ele planejava ir para algum outro país do Mercosul enquanto a permissão para entrar nos EUA não saísse. 

Na operação, a Polícia Federal apreendeu 21 carros de luxo e cerca de R$ 149 milhões em bitcoins.

A defesa de Glaidson informou, em nota, que está à disposição para esclarecer qualquer questionamento que as autoridades tenham. “A G.A.S de Glaidson Acácio, que atua no ramo de tecnologia e consultoria financeira em criptomoedas, não compactua com ilegalidades e preza pela licitude de todas as suas operações“, assina o advogado Thiago Minagé.

 

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