Debate

Cientista de dados negro é preso injustamente acusado de ser miliciano; polícia reconhece ‘erro’

Redação Hypeness - 09/09/2021

O cientista de dados Raoni Lázaro Barbosa, formado pela PUC-Rio com especialização no Massachussets Institute of Technology (MIT), foi preso por reconhecimento fotográfico pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Detido entre 17 de agosto e hoje, o jovem foi ‘confundido’ com um miliciano de Duque de Caxias.

O que havia em comum entre o miliciano e Raoni? Além do nome, a cor de pele. Sem evidências de que o cientista de dados – que trabalha na IBM e não tem nenhuma ligação com o crime organizado – era o Raony de Duque de Caxias, os policiais o prenderam. A única base era o reconhecimento por foto de testemunhas.

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Cientista de dados da IBM foi preso por reconhecimento fotográfico

A esposa de Raoni, Erica, viu sua vida virar de cabeça para baixo desde que seu marido foi preso. “Eu falei com eles: ‘ele é funcionário’, falei nome da empresa, uma multinacional conhecida americana. Mas até o momento ele só falaram que eu podia tirar fotos de mandado de prisão e que ele estava sendo encaminhado para Draco, da Cidade da Polícia. E aí começou pesadelo”, afirmou Erica ao G1.

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Segundo a advogada Carolina Altoé, ocorreu um erro judiciário no caso. “Na realidade a gente verifica como um erro mesmo, um erro judiciário na condução dessa prova que estava sendo construída no bojo do inquérito policial. E a gente, a todo o momento, se questionava se Raoni estava lá custodiado em Benfica, desde o dia 17 de agosto. Por que não se fez o reconhecimento pessoal?”, disse a advogada ao G1.

A polícia afirmou que o caso se tratou de um erro e a Secretaria da Polícia Civil disse que o reconhecimento fotográfico não pode ser a única evidência para justificar a prisão de um suspeito.

Raoni foi libertado na tarde dessa quinta-feira. “Na delegacia, tentei o tempo todo explicar, falar que era um erro, mas em nenhum momento fui escutado”, disse em coletiva. Ele afirmou que irá processar o estado do Rio de Janeiro pela prisão indevida. “Agora é bola pra frente e esquecer isso aqui que, infelizmente, é uma cicatriz que está na minha história de vida”, concluiu.

O cientista de dados não é o único a sofrer com essa pŕatica. Uma pesquisa do Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) mostrou que 83% dos presos injustamente por reconhecimento fotográfico eram negros.

“Os estudos revelam não só um racismo estrutural como também a necessidade de um olhar mais cuidadoso para os processos que se sustentam apenas no reconhecimento fotográfico da vítima como prova da prática do crime”, ressaltam os defensores públicos do Condege.

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Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal


Redação Hypeness
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