Inovação

Como a telemedicina era imaginada em 1925?

Veronica Raner - 16/09/2021

Imaginar como será o futuro é um hábito que pessoas de qualquer década têm. Mas poucas fazem isso com tanta paixão quanto Hugo Gernsback (1884-1967) fazia. O autor e inventor alemão radicado nos Estados Unidos foi autor de um artigo escrito em 1925 que acertou, com riqueza de detalhes, a previsão sobre os tempos que, naquela época, estavam por vir. 

Ilustração feita em 1925 de como seria a telemedicina do futuro.

Gernsback, um comunicador e entusiasta do rádio, escrevia para a revista “Electrical Experimenter” desde 1913. A partir de 1920, a publicação passou a se chamar “Science and Invention“. Em 1925, ele previu para dali a 50 anos um equipamento ultramoderno que, até hoje, ainda não existe. 

O chamado “teledáctilo” seria o objeto que permitiria que médicos fizessem consultas à distância com seus pacientes através de uma tela. Não só para vê-los e ouvi-los, mas também para tocá-los. Soa um pouco familiar, certo? O que Gernsback antecipou foi um tipo mais moderno da telemedicina, tão comum especialmente em tempos de covid. 

O teledáctilo (Tele, longe; dáctilo, dedo – do grego) é um futuro instrumento pelo qual nos será possível ‘sentir à distância’”, escreveu o alemão há quase 100 anos. “Essa ideia não é de todo impossível, pois o instrumento pode ser construído hoje com os meios disponíveis agora. É simplesmente o conhecido teleautograph, traduzido em termos de rádio, com refinamentos adicionais. O médico do futuro, por meio deste instrumento, poderá sentir seu paciente, por assim dizer, à distância”, continuou. 

O inventor e autor Hugo Gernsback.

Segundo ele, o médico manipularia os controles onde estivesse e mãos mecânicas lidariam com o paciente, em outro ambiente. “O médico vê o que está acontecendo no quarto do paciente por meio de uma tela de televisão.

Naquela época, o rádio, o advento dos filmes falados e o início do que viria a ser a televisão mostravam um futuro bastante real no sentido de aproximar distância por meio de telas ou aparelhos de comunicação. Esse aspecto de transformação social era notado por Gernsback.

À medida que progredimos, descobrimos que nossos deveres se multiplicam e temos cada vez menos para transportar nossos corpos físicos para fazer negócios, para nos divertir e assim por diante”, disse. 

O atarefado médico, daqui a cinquenta anos, não poderá visitar seus pacientes como faz agora. Leva muito tempo e ele só consegue, na melhor das hipóteses, ver um número limitado hoje. Considerando que os serviços de um médico realmente grande são tão importantes que ele nunca deveria ter que deixar seu consultório; por outro lado, seus pacientes nem sempre podem ir até ele. É aqui que entram o teledáctilo e o diagnóstico por rádio”, refletiu. 

Nada mal, hein? Talvez, em menos tempo do que acreditamos, a visão de Hugo Gernsback se torne realidade. 

 

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Fotos: Getty Images / Wikimedia Commons / Science and Invention Magazine


Veronica Raner
Jornalista em formação desde os sete anos (quando criou um "programa de entrevistas" gravado pelo irmão em casa). Graduada pela UFRJ, em 2013, passou quatro anos em O Globo antes de sair para realizar o sonho de trabalhar com música no Reverb. Em constante desconstrução, se interessa especialmente por cultura, política e comportamento. Ama karaokês, filmes ruins, séries bagaceiras, videogame e jogos de tabuleiro. No Hypeness desde 2020.

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