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Costa dos Esqueletos, um dos locais mais bonitos e inóspitos do planeta, é apelidada de “portão do inferno”

Vitor Paiva - 10/09/2021 | Atualizada em - 14/09/2021

Para se ter uma medida da aridez e do quão inóspito é o cenário da Costa dos Esqueletos, litoral abaixo de Angola e ao noroeste da Namibia na parte sul do continente africano, basta saber que as populações locais há séculos se referem à região como “a terra que deus construiu com raiva”. A estonteante beleza natural contrasta com os milhares de esqueletos de animais que se espalham pelo imenso deserto de areia branca encostado nas águas revoltas do Atlântico que banham o local: a única marca da presença humana é vista nas várias embarcações naufragadas enterradas na areia e nas águas locais.

Vista aérea da Costa dos Esqueletos

Vista aérea da Costa dos Esqueletos

-A cidade fantasma na Namíbia onde o deserto tomou conta das casas

Localizada entre o sul do Rio Cunene, em Angola, e o Rio Swakop, na Namíbia, a isolada região é inteiramente integrada ao Parque Nacional da Costa dos Esqueletos, estabelecido em 1971 com uma área de mais de 16 mil quilômetros quadrados. Para se chegar às praias praticamente inacessíveis, é necessário equipamento especial e coragem, pois mesmo para poderosos veículos o trajeto pode ser fatal: trata-se, afinal, de milhares de quilômetros de deserto onde o vento intenso torna a aridez ainda mais extrema, em uma região onde praticamente nunca chove – a única fonte de umidade desse ecossistema vem dos nevoeiros oceânicos.

Entrada do Parque Nacional da Costa dos Esqueletos

A convidativa entrada do Parque Nacional da Costa dos Esqueletos

Costa dos Esqueletos

Os navios naufragados também marcam a paisagem local

-Este casal fotografou os lugares mais remotos da Terra em registros maravilhosos

Ao longo de mais de mil quilômetros não se vê uma única árvore, e a vegetação é quase inexistente além de alguns raros e magros arbustos. É por isso que os poucos animais que sobrevivem ao cruzamento do deserto costumam ser vistos sedentos e famintos nas areias da praia – elefantes, hienas, leopardos e outros animais eventualmente surgem, entre focas e leões marinhos, em busca de alimento para sobreviverem no fim do mundo. As carcaças de navios se assemelham as ossadas animais, para lembrar que a quase impossibilidade de alcançar e depois sobreviver na Costa dos Esqueletos: mais de 500 naufrágios podem ser encontrados na região.

carcaça na Costa dos Esqueletos

As diversas carcaças animais explicam o nome da região

Costa dos Esqueletos

São mais de 500 navios naufragados na região

-Como eu, blogueiro de turismo LGBT, fui recebido na Namíbia, país onde é proibido ser gay

Curiosamente, um grupo que frequentemente enfrenta a aridez da região acompanhado de locais para explorar as águas intensas e grandiosas e a beleza visual da natureza são os surfistas, que cruzam o deserto em veículos 4×4 para descer as ondas virgens das praias. Tal grupo, porém, tem que se preocupar com mais uma ameaça local: as mais de 11 espécies de tubarão que vivem na Costa dos Esqueletos, no ponto do planeta que os antigos navegadores portugueses consideravam estar além dos portões do inferno.

Costa dos Esqueletos

Colônias de focas habitam a Costa dos Esqueletos

Costa dos Esqueletos

A região é considerada uma das mais inóspitas do planeta

 

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.