Fotografia

Fotógrafa russa usa minimalismo e surrealismo em busca das profundezas de nossa psique

Vitor Paiva - 03/09/2021 | Atualizada em - 09/09/2021

É através do foco em cores fortes, formas minimalistas e cenas surrealistas que a fotógrafa russa Dasha Pears encontrou o caminho para mergulhar nas profundezas da psique humana em seu trabalho. Buscando através das imagens não o retrato preciso, mas sim o impacto emocional da ampla complexidade psicológica do ser humano, segundo a artista, suas escolhas estéticas são “um caminho para expressar que o controle da mente e a criação do espaço são cruciais para a descoberta de quem somos e quem não somos”, comentou.

Foto de Dasha Pears

“Up and Go!”

-A série de fotos surrealista que te faz mudar de dimensão

Segundo a fotógrafa, algumas de suas séries se dobram sobre sentimentalidades e dilemas humanas amplos e gerais, mirando temas como autoconhecimento, perspectiva, tensões e expectativas, vida e morte – enquanto outras buscam como tema assuntos e mesmo experiências pessoais de Pears, sempre com uma forte pitada surrealista. “Eu acredito que uma arte impactante deve possuir 3 elementos principais: sentimentos, significado e estética. Eu tento combinar tudo isso em meus trabalhos”, afirma, em seu site.

Foto de Dasha Pears

“Scarlet Caravan”

Foto de Dasha Pears

“One”

-Curta argentino mostra como o mundo é lindo – e completamente louco

Um dos temas mais fortes e singulares aparece na série Synesthetic Letters, que expressa um fenômeno chamado “Sinestesia”, no qual o estímulo de um sentido ou caminho cognitivo leva a outros caminhos sensoriais ou cognitivos. Para essa série, a mistura se dá entre letras do alfabeto, números e cores – na qual cada letra é associada com tonalidades específicas, bem como objetos e mesmo padrões, buscando tal sobreposição de sentidos e sensações.

Foto de Dasha Pears

Letra A, da série “Synesthesic Letters”

Foto de Dasha Pears

Letra B

Foto de Dasha Pears

C

-Um sonho 3D nas paisagens oníricas criadas por Maciek Martyniuk

Nas fotos de Pears, tudo parece se apresentar como metáfora da própria existência – a ser compreendida ou mesmo completada pela visão de quem recebe, analisa e principalmente sente cada imagem – um bom exemplo é um simples origami, objeto presente em diversas fotos, mas que parece imediatamente ganhar profundidade poética e psíquica nas montagens e criações da fotógrafa e artista russa, atualmente residente da Finlândia. “A transformação de um pedaço de papel em virtualmente qualquer coisa me fez pensar em como a humanidade tende a transformara fatos simples e situações mundanas em algo positivo ou negativo quando reagimos emocionalmente”, comentou.

Foto de Dasha Pears

“Loose”

Foto de Dasha Pears

“Invasion”

Foto de Dasha Pears

“In and Out”

Foto de Dasha Pears

“Centered”

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© fotos: Dasha Pears


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.