Sustentabilidade

Garimpo em terras indígenas aumentou 495% nos últimos 10 anos no Brasil

Redação Hypeness - 02/09/2021 | Atualizada em - 06/09/2021

O garimpo está crescendo em grande escala no Brasil e uma das principais áreas em risco com a prática da mineração em busca de pedras preciosas são as terras indígenas. Em todo o país, mas em especial na região amazônica, a extração de minérios se expandiu de forma galopante nas últimas décadas e a ameaça contra a biodiversidade está dada como alerta no Brasil.

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Um estudo feito pelo MapBiomas com imagens de satélite mostrou que, entre 1985 e 2020, a área utilizada para garimpo no Brasil saiu de 31 mil hectares em 1985 para 206 mil hectares no ano passado. Mais de 90% do garimpo se localiza na região amazônica.

O garimpo contamina o solo com mercúrio e acaba se tornando uma prática muito danosa para a natureza: além de desmatar, o garimpo acaba inviabilizando o uso daquela terra para futuras gerações.

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“Pela primeira vez, a evolução das áreas mineradas é apresentada para a sociedade, mostrando a expansão de todo o território brasileiro desde 1985. Tratam-se de dados inéditos que permitem compreender as diferentes dinâmicas das áreas de mineração industrial e garimpo e suas relações, por exemplo, com os preços das commodities, com as unidades de conservação e terras indígenas”, afirma Pedro Walfir, professor da UFPA e coordenador do Mapeamento de Mineração no MapBiomas ao CicloVivo.

Entre 2010 e 2020, as áreas utilizados por garimpeiros cresceu 495%. O número foi de 301% em Unidades de Conservação da União. Caso o projeto do governo federal que pretende regulamentar a exploração de minério dentro das TIs seja aprovado pela Câmara e pelo Senado Federal, a tendência é que esse número aumente ainda mais e que o garimpo se torne a regra dentro dos territórios que são dos povos nativos brasileiros.

“Estamos nos organizando e vamos nos posicionar para cobrar nossos direitos que estão na Constituição. Ele precisa respeitar as áreas demarcadas, não pode quebrar o protocolo e enfrentar as autoridades anteriores que fizeram as demarcações”, afirma ao Brasil de Fato o ativista indígena Dário Kopenawa.

 

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Fotos: © Getty Images


Redação Hypeness
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