Ciência

O incrível fóssil completo de dinossauro que foi resgatado do tráfico

03 • 09 • 2021 às 16:06
Atualizada em 08 • 09 • 2021 às 10:23
Yuri Ferreira
Yuri Ferreira   Redator É jornalista paulistano e quase-cientista político. É formado pela Escola de Jornalismo da Énois e conclui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Já publicou em veículos como The Guardian, The Intercept, UOL, Vice, Carta e hoje atua como redator aqui no Hypeness desde o ano de 2019. Também atua como produtor cultural, estuda programação e tem três gatos.

Em 2013, a Polícia Federal apreendeu mais de 3 mil amostras de fósseis que estavam prestes a ser enviados para a Europa ilegalmente. Os resquícios petrificados de animais foram interceptados na ‘Operação Munique’ e foram doados à Universidade de São Paulo para estudo.

Um deles era o fóssil praticamente completo do Tupandactylus navigan. Oito anos depois, uma extensa pesquisa sobre o animal foi publicada no Journal Plos ONE e revelou muito sobre os pterossauros (e, em especial, seus esqueletos). Por se tratar de um dos poucos fósseis inteiros encontrados para o gênero Tupandactylus, a pesquisa é considerada um achado.

Fóssil desse animal que não era lá muito bom voador estava sendo traficado para a Europa

No estudo, os pesquisadores descobriram que esse pterossauro tinha dificuldade de fazer voos longos e que seu corpo contava com uma grande crista. Sua altura era de 2,5 metros e seu comprimento de 1 metro.

“Como só conhecíamos o crânio desse bicho, um monte de coisa foi inédita. A primeira que chamou atenção foi a crista que ele tem na mandíbula, muito grande”, explicou Victor Beccari, principal autor do estudo, à BBC.

“Os pterossauros voam, e para este animal conseguir voar longas distâncias, considerando a crista gigante de 40 cm que ele tem na cabeça, ele deveria ou ter um pescoço muito curto ou tendões ossificados no pescoço. Não encontramos isso, o que mostra que talvez esse bicho não fosse um exímio voador, se restringindo a voos mais curtos para encontrar alimentos ou fugir de predadores”, completou.

Além de Beccari, assinam a descoberta Luiz Eduardo Anelli; Octávio Mateus, (Universidade Federal do ABC), Felipe Pinheiro (Universidade Federal do Pampa) e Ivan Nunes (Universidade Estadual Paulista).

“Esta descoberta introduz nos tapejarídeos um elemento muito bem conhecido, que permite interpretar elementos de seu entorno que não estão preservados tão bem”, ressalta. “É como uma onda de informação que afeta todos os seus vizinhos e nos permite melhorar muito a compreensão de um grupo concreto”, explicou Francisco Ortega, paleontologista da Faculdade de Ciências da UNED, ao EL País.

 

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Fotos: Victor Beccari


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