Diversidade

Preto À Porter: 1ª série brasileira 100% preta fala sobre religião, miscigenação e ancestralidade

Gabriela Rassy - 02/09/2021 | Atualizada em - 06/09/2021

A série Preto À Porter, 100% escrita, produzida, dirigida e apresentada por pessoas pretas, acaba de estrear fazendo um resgate necessário de temas importantes para a representatividade negra e para nossa construção histórica.

Criada e dirigida pelo diretor Rodrigo Pitta, o show é capitaneado no estúdio por Helio de La Peña, mas traz, além do ex Casseta & Planeta, influenciadores da nova geração do movimento negro brasileiro: o fotógrafo e influenciador digital Roger Cipó, a empreendedora Neyzona e a historiadora e professora Caroline Sodré.

A cada episódio, lançado toda terça, Preto À Porter exibe a realeza e a potência negra nos quatro cantos do mundo, falando de um Brasil que ainda está invisível.

Para Rodrigo Pitta, a seleção dos apresentadores foi uma das coisas mais legais do projeto, já que ele conseguiu reunir pessoas que pudessem representar a negritude brasileira, de gerações, pensamentos e lugares diferentes do Brasil.

“Tem o Roger, que é de São Paulo, fotógrafo, preto retinto, de trança; a Neyzona, da Bahia, uma mulher belíssima, empreendedora, preta retinta, de família monoracial; o Hélio de la Penha, que já é a representação máxima de uma mistura brasileira, que é um preto de olho verde, pele mais clara e uma das grandes celebridades black do país, que representa o sucesso de um homem negro brasileiro; e a Caroline Sodré, uma super professora que sabe contar a história de um jeito legal, sob um prisma progressista”, conta.

A maior importância de tocar no assunto negritude, é aumentar a conscientização dos brasileiros sobre a necessidade representatividade da raça negra em todos os espaços. Nós somos um país 54% negro e que ainda é invisibilizado pelos brasileiros. São muitas tranças que unem esse caleidoscópio de tons que na verdade é o Brasil

O primeiro episódio foi ao ar no dia 24 de agosto, exibido pelo canal UOL, e falou sobre a essência da colonização brasileira. Discutindo o tema “O que é ser negro no Brasil?”, a série foi da Bahia a Rio e SP para debater o significado da ancestralidade negra no País.

Em formato de programa de variedades, o programa fala sem filtros sobre temas que precisam ser descortinados. O segundo episódio, “Qual é o seu axé?”, faz um passeio pelas influências da África nas religiões brasileiras. Nele, descobrimos que os brasileiros guardam no seu dia a dia muitos rituais que vêm das religiões de matrizes africanas.

Já no terceiro episódio, intitulado “Eu sou neguinha?”, fala das misturas do Brasil se perguntando o que faz do Brasil um País com pessoas pretas de tantas cores diferentes. A polêmica da miscigenação, a beleza dos tons de pele negra, casais de etnias diferentes, filhos desses frutos, pai branco, filho preto, tudo está em pauta ali.

A cotação dos profissionais pretos em posição de poder é o tema do 4º episódio. Neste capítulo, a série apresenta profissionais pretos que ocupam posição de poder e que tem destaque na sociedade pelo trabalho que desenvolvem

A ancestralidade aparece no último episódio da temporada, convidando grandes famílias da música popular brasileira para falar de herança ancestral de pai para filho, de avô para neto, ou entre irmãos de sangue ou da raça.

“O programa com a família Gil vai ser muito legal! É um capítulo que fala sobre ancestralidade e eu escolhi tocar nesse assunto através da música e através da ancestralidade das famílias da música brasileira. Tem ainda a Mart’nália falando do Martinho da Vila, a Luciana e o Jairzinho falando do Jair Rodrigues, aparece Carlinhos Brown e Chico Brown. Toda essa família tentando explicar de uma maneira lúdica essa herança ancestral que veio da África para a gente e da gente para os nossos filhos”, conta Rodrigo.

Um detalhe delicado e sensível está na vinheta de abertura, que teve música-tema inédita composta pelos Gilsons, banda musical formada por filhos e netos de Gilberto Gil. O mestre, aliás, deve dar pinta no programa ao longo dos próximos episódios.

Além de Gil e das famílias negras da música, devem passar pela tela de Preto À Porter nomes como a cozinheira Dadá e Bruno Gagliasso, entre outras personalidades como advogados, médicos, antropólogos, políticos, empresários e engenheiros, que trarão suas histórias e pontos de vista.

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Fotos: Divulgação


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.