Arte

Sérgio Mamberti morto aos 82: sexualidade sem tabu, política e defesa da cultura

Kauê Vieira - 03/09/2021

Sérgio Mamberti , nascido em 22 de abril de 1939, em Santos, morreu aos 82 anos. Um dos representantes maiores da cultura brasileira, o ator estava internado em São Paulo para tratar de uma infecção dos pulmões, que acabou gerando falência múltipla dos órgãos. 

Mamberti chegou a ser internado em julho passado para cuidar de uma pneumonia. O veterano passou por uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), antes de ter alta após cerca de 15 dias. 

Sérgio Mamberti é uma das figuras mais conhecidas da dramaturgia brasileira. Na ativa desde a década de 1960, estreou no cinema na comédia “Nudista à Força”, lançada por Victor Lima em 1966. 

Sérgio Mamberti foi um dos maiores atores do Brasil

‘Raios e trovões’ 

Mamberti garantiu seu lugar na memória de milhões de brasileiros quando aceitou embarcar em uma nova criação de Cao Hamburguer. Sérgio Mamberti deu vida ao inesquecível Doutor Victor, um dos símbolos do eterno “Castelo Rá-Tim-Bum”.

Sérgio Mamberti fez parte da infância de grande parte de brasileiros e brasileiras, hoje na casa dos 30 e poucos anos. “Raios e trovões”, bradava um apressado Doutor Victor que, ao lado da Tia Morgana, criava o pequeno Nino em um universo repleto de ludicidade. 

Quem não se lembra do eterno Doutor Victor, do ‘Castelo’?

Cassio Scapin, o Nino, foi um dos primeiros a se manifestar sobre a morte do companheiro de coxia. “Coração doído”, escreveu nas redes sociais. 

“Hoje partiu Sergio Mamberti, nosso tio Victor! Um homem, um artista que lutou pelo progresso e desenvolvimento da nação brasileira com as armas que tinha; a cultura e a arte”, destacou Scapin. 

Hoje vivendo na Argentina, Cinthya Rachel, a Biba, também homenageou Mamberti nas redes sociais. “Querido Sérgio! Sempre tão amoroso, paciente e professor. Um homem de luta, um homem de amor. Que bom que a gente se encontrou nessa vida! Obrigada!!! Aplausos para o Mamberti! Um abraço carinhoso para a família”.

Luciano Amaral, o Pedro do “Castelo”, foi outro que se rendeu ao talento de Sérgio Mamberti. “Quanta paciência conosco nas gravações do Castelo, quanta generosidade e aprendizado pra todos nós que tivemos a oportunidade de conviver com você”.

Cultura 

O passar do tempo fez de Sérgio Mamberti um dos maiores defensores e incentivadores da cultura brasileira. Dono do prêmio APCA por sua trajetória no teatro, ele foi voz ativa contra o desmonte da cultura promovido pela gestão Bolsonaro. 

“A gente só pode fazer com que a cultura floresça dentro de um regime que respeite o Estado de direito”, declarou em entrevista ao Brasil de Fato, em 2018. 

Ativo politicamente até os últimos dias de vida, Sérgio Mamberti participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) no início da década de 1980. Ele também esteve presente em campanhas do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que lamentou nas redes sociais a partida do ator. 

“A sua contribuição para a cultura brasileira nos palcos, no cinema, na TV, na Funarte e no Ministério da Cultura, na construção de políticas públicas para as artes nacionais é imensa. Se o povo brasileiro o admirava pelo seu talento, quem o conhecia de perto o admirava pela sua humildade, carinho e inteligência”, escreveu o ex-presidente. 

Bissexual 

Sérgio Mamberti foi casado durante 18 anos com Vivian Mahr, com quem teve três filhos. O ator contou recentemente em sua biografia ser bissexual. Mamberti foi companheiro de Ednardo Torquato, falecido em 2018, por 37 anos. 

Sérgio Mamberti conta que os três filhos do primeiro casamento – Fabrício, Carlos e Eduardo – sempre souberam de sua bissexualidade. “Como é que eu ia esconder dos meus filhos que eu estava com um companheiro, sendo que ele morava comigo?”.

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Fotos: foto 1: Reprodução/Instagram/foto 2: Divulgação


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.