Debate

Vencedora do Pulitzer que enfrentou câncer agressivo critica hipocrisia social sobre doença

Redação Hypeness - 16/09/2021 | Atualizada em - 20/09/2021

Uma semana depois de seu aniversário de 41 anos, a aclamada poeta Anne Boyer foi diagnosticada com câncer de mama triplo-negativo altamente agressivo. Para uma mãe solo de salário modesto que sempre foi a cuidadora, e não aquela que precisava ser cuidada, a doença chegou tanto como uma crise quanto um começo de novas idéias sobre a mortalidade e a política de gênero da doença.

Quando dizemos para defender o SUS estamos mirando em nós mesmos e na permanência do nosso belíssimo e capilar sistema de saúde. Mas estamos também falando que não é todo país – ainda que a grama de lá tenha tons de dólares – que tem esse serviço essencial de saúde.

A escritora Anne Boyer, Vencedora do Pulitzer que enfrentou câncer agressivo, critica hipocrisia social sobre doença

A escritora Anne Boyer, Vencedora do Pulitzer que enfrentou câncer agressivo, critica hipocrisia social sobre doença

“Quando se trata da própria morte – não de sua versão cinematográfica – nós a escondemos, desinfetamos, terceirizamos, pois ela entra em conflito com a filosofia da positividade a todo custo”, reflete Anne em entrevista à BBC Mundo.

Usando a doença do século 21 como metáfora, este angustiante livro de memórias fala muito sobre sobrevivência. The Undying, vencedor do Prêmio Pulitzer em 2020, explora “a experiência da doença mediada por telas digitais, tecendo antigos diários de sonho, fraudadores e fetichistas do câncer, vloggers de câncer, mentiras corporativas, pessoas pró-dor, os custos ecológicos da quimioterapia e os muitos pequenos assassinatos do capitalismo”, como descreve o site da importante premiação.

Cresceu a ideia de que se uma pessoa for positiva e tiver uma boa atitude perante a vida, ela pode superar o câncer. Isso não é verdade. (…) O mito da atitude positiva resume-se principalmente à imposição de uma norma machista, ou seja, a ideia de que as mulheres devem sempre ser alegres e sorrir mais.

Anne Boyer critica a indústria farmacêutica e as suaves hipocrisias da “cultura da fita rosa” – que converte dor em produto, mas como carinha de empatia -, enquanto também mergulha na longa linha literária de mulheres escrevendo sobre suas próprias doenças e mortes em curso, como Audre Lorde, Kathy Acker, Susan Sontag, entre outras.

Ainda na entrevista à BBC, ela discorre sobre como a lógica perversa e individualista do capitalismo coloca as pessoas contra elas mesmas.

Os doentes, deixando de ser entidades capitalistas “produtivas” e competitivas, são vistos como perdedores, a menos que sobrevivam

Para Anne, o sistema capitalista nos força a ver tudo como opção, inclusive o câncer, e se ver como vencedor apenas se sobreviver e conseguir voltar a ser um consumista/produtor completo. “Essa retórica esconde que, na realidade, muito do que nos acontece não é o resultado de nossa escolha, é um conjunto de condições compartilhadas, de forças históricas, de estruturas político-sociais”.

O setor de saúde dos Estados Unidos é cruel de ponta a ponta – dos pacientes aos profissionais de saúde. E tudo, segundo aponta Anne, é visando o lucro.

“Durante a pandemia do coronavírus, os profissionais de saúde parecem ter experimentado as pressões destrutivas desse modelo lucrativo. (…) Espero que uma das consequências desta crise seja um clamor contra as condições dos sistema que tornam o acesso à saúde impossível para pacientes e desgastante para trabalhadores da saúde”, disse à BBC.

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Fotos Anne Boyer por Cara Lefebvre


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