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5 mulheres feministas que fizeram história na luta por equidade de gênero

Roanna Azevedo - 01/10/2021 | Atualizada em - 15/10/2021

Ao longo da história, os movimentos feministas sempre buscaram como conquista principal a equidade de gênero. Desmontar a estrutura do patriarcado e os mecanismos que ele utiliza no processo de inferiorização da mulher é a prioridade do feminismo enquanto bandeira.

Pensando na importância das mulheres que dedicam a vida a combater a violência contra a mulher, a opressão masculina e às amarras do gênero, listamos cinco feministas que aliaram seus trabalhos ao ativismo e fizeram a diferença na luta por direitos.

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1. Nísia Floresta

Nascida Dionísia Gonçalves Pinto no Rio Grande do Norte de 1810, a educadora Nísia Floresta publicou textos em jornais antes mesmo da imprensa brasileira se consolidar e escreveu diversos livros sobre a defesa do direito das mulheres, dos indígenas e dos ideais abolicionistas.

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Sua primeira obra publicada foi “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”, aos 22 anos de idade. Era inspirada no livro “Vindications of the Rights of Woman”, da inglesa e também feminista Mary Wollstonecraft.

Ao longo de sua carreira, Nísia ainda escreveu títulos como “Conselhos a minha filha” e “A Mulher” e foi diretora de um colégio exclusivo para mulheres no Rio de Janeiro.

2. Bertha Lutz

Motivada pelos movimentos feministas franceses do início do século XX, a bióloga paulista Bertha Lutz foi uma das fundadoras do movimento sufragista no Brasil. Sua participação ativa na luta pela igualdade de direitos políticos entre homens e mulheres fez com que o Brasil aprovasse o voto feminino em 1932, doze anos antes da própria França.

Bertha foi apenas a segunda mulher a entrar para o serviço público brasileiro. Logo depois, criou a Liga Para a Emancipação Intelectual da Mulher, em 1922.

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Por pouco mais de um ano ocupou uma das cadeiras na Câmara, após ter sido eleita primeira suplente de deputado federal e participado do comitê elaborador da Constituição, em 1934. Durante esse período, reivindicou melhorias na legislação trabalhista referente à mulher e aos menores de idade, defendendo a licença maternidade de três meses de duração e a redução da jornada de trabalho.

3. Malala Yousafzai

“Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.” Essa frase é de Malala Yousafzai, a pessoa mais jovem da história a ganhar um Prêmio Nobel da Paz, aos 17 anos, graças a sua luta pela defesa da educação feminina. 

Em 2008, o líder talibã do Vale Swat, região localizada no Paquistão onde Malala nasceu, exigiu que as escolas parassem de dar aulas às meninas. Incentivada pelo pai, dono do colégio em que estudava, e por um jornalista da BBC, ela criou o blog “Diário de uma Estudante Paquistanesa”, aos 11 anos. Nele, escrevia sobre a importância dos estudos e as dificuldades que as mulheres do país enfrentavam para concluir os seus.

Mesmo escrito sob um pseudônimo, o blog fez bastante sucesso e a identidade de Malala logo ficou conhecida. Foi assim que, em 2012, membros do talibã tentaram assassiná-la com um tiro na cabeça. A menina sobreviveu ao ataque e, um ano depois, lançou o Fundo Malala, uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de facilitar o acesso das mulheres de todo o mundo à educação.

4. bell hooks

Gloria Jean Watkins nasceu em 1952 no interior dos Estados Unidos e adotou o nome bell hooks em sua carreira como uma forma de homenagem à bisavó. Formada em literatura inglesa pela Universidade de Stanford, usou suas experiências pessoais e observações sobre o lugar em que cresceu e estudou para pautar seus estudos sobre gênero, raça e classe dentro de diferentes sistemas de opressão.

Em defesa da pluralidade das vertentes feministas, bell destaca em seu trabalho como o feminismo, no geral, costuma ser dominado pelas mulheres brancas e suas reivindicações. Já as negras muitas vezes precisavam deixar a discussão racial de lado para se sentirem incluídas no movimento contra o patriarcado, que as afeta de forma diferente e mais cruel.

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5. Judith Butler

Professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, a filósofa Judith Butler é uma das principais representantes do feminismo contemporâneo e da teoria queer. Com base na ideia de não-binariedade, ela defende que tanto o gênero quanto a sexualidade são conceitos construídos socialmente.

Judith acredita que a característica fluida do gênero e seu rompimento derrubam os padrões impostos pelo patriarcado à sociedade. 

Bônus: Simone de Beauvoir

A autora da célebre frase “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher” fundou a base do feminismo que é conhecido hoje. Simone de Beauvoir se formou em filosofia e, desde que começou a lecionar na Universidade de Marselha, escreveu diversos livros sobre a posição que a mulher ocupa na sociedade. O mais famoso deles foi “O Segundo Sexo”, publicado em 1949.

Ao longo dos anos de pesquisa e ativismo, Simone concluiu que o papel que a mulher assume na coletividade é imposto pelo gênero, uma construção social, e não pelo sexo, uma condição biológica. O padrão hierárquico que coloca os homens como seres superiores também sempre foi duramente criticado por ela.

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Foto 1: Reprodução

Foto 2: Arquivo ONU

Foto 3: Apple

Foto 4: Liza Matthews

Foto 5: Miquel Taverna/CCCB

Foto 6: Reprodução/Wikipédia


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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