Arte

Banksy: quem é um dos maiores nomes da arte de rua atual

Roanna Azevedo - 29/10/2021

Você com certeza já viu alguma das obras de Banksy, mesmo sem saber como é o rosto dele. Mas pode manter a tranquilidade: mais ninguém sabe. A identidade do artista britânico permanece guardada a sete chaves desde o início da sua carreira. Afinal, o anonimato alimenta o mistério e a magia em torno de uma das figuras mais revolucionárias da arte urbana dos últimos anos.

Que tal conhecer um pouco mais sobre a trajetória e o trabalho de Banksy? Reunimos abaixo todas as informações que você não pode deixar de saber.

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Quem é Banksy?

Banksy é um artista de rua e pintor de graffiti britânico que combina críticas sociais e linguagem satírica em seus trabalhos, espalhados pelos muros de todo o mundo. A verdadeira identidade dele é desconhecida, mas sabe-se que nasceu na cidade de Bristol por volta de 1974 ou 1975. 

“Se o graffiti mudasse alguma coisa, seria ilegal”, mural da exposição “O Mundo de Banksy” em Paris, 2020.

A técnica utilizada por Banksy em suas obras é o estêncil. Ela consiste em desenhar em um determinado material (papelão ou acetato, por exemplo) e recortar esse desenho posteriormente, deixando apenas seu formato. Como as intervenções artísticas do britânico sempre acontecem à noite para preservar sua identidade, essa espécie de molde permite que ele pinte rapidamente, sem precisar criar a arte do início. 

Como Banksy se esconde na hora de fazer suas intervenções artísticas?

Feitas apenas com tinta preta e branca e, às vezes, algum toque de cor, as obras do artista ocupam prédios, muros, pontes e até vagões de trem da Inglaterra, França,  Áustria, Estados Unidos, Austrália e Palestina. Todas são carregadas de questionamentos socioculturais e críticas ao capitalismo e à guerra.

Banksy ingressou no mundo das artes no final da década de 1980, quando o graffiti se tornou muito popular em Bristol. Ele foi tão influenciado por esse movimento, que seu estilo de desenho se assemelha ao do artista francês veterano Blek le Rat, que começou a utilizar estênceis nos seus trabalhos em 1981. A campanha de graffiti da banda punk Crass espalhada pelo metrô de Londres na década de 1970 também parece ter servido de inspiração.

As artes de Banksy passaram a ganhar mais reconhecimento após a exposição “Barely Legal”, de 2006. Ela aconteceu de forma gratuita dentro de um galpão industrial na Califórnia e foi considerada controversa. Uma de suas atrações principais foi a “Elephant in the room”, interpretação praticamente literal da expressão “um elefante na sala de estar” pois consistia na exposição de um elefante de verdade pintado dos pés à cabeça.

Qual é a verdadeira identidade de Banksy?

O mistério a respeito da verdadeira identidade de Banksy chama a atenção do público e da mídia tanto quanto sua arte, tendo funcionado até mesmo como uma estratégia de marketing. Ao longo do tempo, algumas teorias sobre quem seria o artista começaram a aparecer. A mais recente afirma que ele é Robert Del Naja, vocalista da banda Massive Attack. Umas dizem que é Jamie Hewllet, desenhista do grupo Gorillaz, e outras acreditam que se trata de um coletivo de pessoas.

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A hipótese mais aceita garante que Banksy é o artista Robin Gunningham. Também nascido em Bristol, ele tem um estilo de trabalho parecido com o do grafiteiro misterioso e fez parte do mesmo movimento artístico nas décadas de 1980 e 1990. O pseudônimo escolhido por ele faria uma referência direta ao apelido com o qual já assinou algumas obras: Robin Banks.

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Mural “Graffiti is a crime” em Nova York, 2013.

A única certeza sobre Banksy diz respeito a sua aparência. Durante uma entrevista, o jornal The Guardian descreveu o artista como um homem branco de estilo casual e descolado que veste jeans e camiseta, tem um dente de prata e usa muitos colares e brincos prateados.

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As impactantes obras de Banksy

No início da carreira de Banksy, grande parte dos proprietários das paredes usadas como tela para seu trabalho reprovava as intervenções. Muitos pintavam por cima dos desenhos ou exigiam que eles fossem retirados. Hoje em dia, a coisa mudou de figura: são poucos os privilegiados que têm alguma obra do artista em seus muros.

Ao contrário de outros artistas, Banksy não vende suas obras. No documentário “Exit to the Gift Shop”, ele justifica dizendo que, diferentemente da arte convencional, a arte de rua só dura enquanto é documentada em fotografias. 

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Abaixo, destacamos três das mais impactantes.

Girl with Balloon: Criada em 2002, é provavelmente a obra mais famosa de Banksy. Retrata uma menina pequena enquanto ela perde seu balão vermelho em formato de coração. O desenho é acompanhado da frase “There is always hope” (“Sempre há esperança”, em livre tradução). Em 2018, uma versão em tela dessa arte foi leiloada por mais de 1 milhão de libras e autodestruída logo depois que o negócio foi fechado. O fato repercutiu em todo o mundo e trouxe ainda mais notoriedade para o trabalho de Banksy.

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“Girl with Balloon”, provavelmente o trabalho mais conhecido de Banksy.

Napalm (Can’t Beat That Feeling): Sem dúvidas é um dos trabalhos mais intensos e ousados de Banksy. O artista colocou os personagens Mickey Mouse e Ronald McDonalds, representantes do “American Way of Life”, ao lado da menina atingida pela bomba Napalm durante a Guerra do Vietnã. A fotografia original foi tirada em 1972 por Nick Ut e vencedora de um Prêmio Pulitzer.

A intenção de Banksy com essa obra é incentivar a reflexão sobre as ações dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, que resultaram em mais de 2 milhões de vítimas vietnamitas.

Mural “Napalm (Can’t Beat That Feeling)”.

Guantánamo Bay Prisoner: Nessa obra, Banky ilustra o que seria um dos detentos da prisão de Guantánamo algema e com um saco preto cobrindo a cabeça. A instituição penitenciária é de origem estadunidense, fica na ilha de Cuba e é conhecida pelos maus tratos aos prisioneiros.

Mas essa não foi a única vez que o artista britânico usou essa obra para criticar a crueldade do sistema penitenciário. Em 2006, ele enviou um boneco inflável vestido como prisioneiro para os parques da Disney.

Mural “Guantánamo Bay Prisoner”.

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Foto 1: RFI/Edmond Sadaka

Fotos 2, 4 e 5: Reprodução/

Foto 3: Reprodução/Banksy/Moco Museum

 


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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