Ciência

‘Berçarios’ de planetas possuem moléculas necessárias para o surgimento da vida

Vitor Paiva - 13/10/2021 | Atualizada em - 15/10/2021

A busca por vida fora da Terra ganha novo capítulo com a descoberta de moléculas orgânicas em discos protoplanetários: espécie de “berçário” de planetas encontrado ao redor de estrelas jovens e próximas, os discos foram mapeados em detalhes e alta resolução de forma inédita, e apresentaram as moléculas, consideradas essenciais para o surgimento da vida, como ingredientes primordiais para o surgimento de elementos como açucares, aminoácidos e mesmo o ácido ribonucleico, conhecido como RNA, macromolécula essencial para diversas funções biológicas.

Representação artística de um disco protoplanetário ao redor de uma jovem estrela

Representação artística de um disco protoplanetário, formado por gases e poeira, ao redor de uma jovem estrela © M.Weiss/Center for Astrophysics/Harvard & Smithsonian

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A pesquisa encontrou em abundância considerável algumas moléculas fundamentais para o surgimento de vida em cinco discos estudos. Os dados utilizados vieram do radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter Array), localizado no Chile, através de sinais capturados por uma rede de mais de 60 antenas, e buscaram principalmente pelas moléculas de cianoacetileno (HC3N), acetonitrila (CH3CN) e ciclopropenilideno (c -C3H2). “O ALMA nos permitiu procurar essas moléculas nas regiões mais internas desses discos, em escalas de tamanho semelhantes ao nosso Sistema Solar, pela primeira vez”, afirmou John Ilee, cientista da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e líder da pesquisa.

Quatro discos protoplanetários – da esquerda pra direita: GM Aur, AS 209, HD 16329 e MWC 480 – observados no projeto. Na linha de cima, a emissão de poeira grande em cada disco. Embaixo, as três cores de emissão das grandes moléculas orgânicas HC3N (vermelho), CH3CN (verde) e c-C3H2 (azul) © Dr. J. D. Ilee/Universidade de Leeds

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“Nossa análise mostra que as moléculas estão localizadas principalmente nessas regiões internas com abundâncias entre 10 e 100 vezes maiores do que os modelos haviam previsto”, seguiu Ilee. Através de comunicado. Em resumo, a descoberta abre a possibilidade de existirem condições semelhantes as que permitiram o surgimento da vida na Terra em diversas partes da galáxia e de forma ampla – inclusive em pontos considerados relativamente próximos: os discos protoplanetários pesquisados, intitulados IM Lup, GM Aur, AS 209, HD 163296 e MWC 480, ficam em distâncias de 300 a 500 anos-luz do nosso planeta.

Duas antenas no Atacama Large Millimeter Array (ALMA), no Chile

Duas antenas no Atacama Large Millimeter Array (ALMA), no Chile © Wikimedia Commons

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Os discos protoplanetários são como regiões de gases e poeira onde os corpos celestes se formam, ao redor de jovens estrelas. Por serem compostas por carbono, as moléculas encontradas possuem maior possibilidade de servirem como “ingrediente” para matérias mais complexas. “A presença dessas grandes moléculas orgânicas é significativa porque elas são o ponto de partida entre as mais simples baseadas em carbono, como o monóxido de carbono, que é encontrado em abundância no espaço, e as mais complexas, necessárias para criar e sustentar a vida”, afirmou o astrônomo. As descobertas foram publicadas em mais de 20 artigos no Astrophysical Journal Supplement Series, e formarão uma edição especial da revista científica Astrophysical Journal.

Outra representação artística de uma jovem estrela rodeada por um disco protoplanetário

Outra representação artística de uma jovem estrela rodeada por um disco protoplanetário © Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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