Inspiração

Casa onde Maradona viveu na infância torna-se Patrimônio Histórico da Argentina

Vitor Paiva - 28/10/2021 | Atualizada em - 01/11/2021

A adoração do povo argentino por Diego Maradona é tamanha que existem igrejas no país em celebração ao ex-jogador, falecido em novembro do ano passado. Nada mais justo, portanto, que a decisão de tombar a casa onde Maradona cresceu, nos arredores da capital, Buenos Aires, e transformar o local em Patrimônio Histórico Nacional da Argentina. A decisão foi assinada pelo presidente Alberto Fernández junto ao Chefe da Casa Civil, Juan Manzur, e o Ministro da Cultura, Tristán Bauer, confirmando pedido de catalogação encaminhado ao presidente pela Comissão Nacional de Monumentos, Lugares e Patrimônio Histórico do Ministério da Cultura poucos dias após a morte do atleta.

Diego Maradona levantando o troféu da Copa do Mundo de 1986, vencida pela Argentina

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A residência fica no bairro de Villa Fiorito, a cerca de 20 km do centro de Buenos Aires, mais precisamente no número 523 da Rua Assamor, local que se tornou uma espécie de memorial e ponto turístico desde o falecimento de Maradona. A adoração ao jogador é vista em toda parte, representada, por exemplo, no muro onde, abaixo de um grande grafite com o rosto do atleta, se lê: “A casa de Deus”. Atrás do portão de arame farpado e do pátio de terra fica a casa simples onde Maradona viveu, e ao redor do endereço, diversos campos de futebol de várzea onde ele jogou na infância permanecem, como locais de romaria, mas também de partidas frequentes entre a garotada que hoje mora no bairro.

"A casa de Deus": a pintura foi feita na parede da casa de Maradona no dia de seu falecimento

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Casa do Maradona

Ainda que abandonado, o local tornou-se ponto turístico e de romaria após a morte do jogador

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A casa foi estabelecida por Don Diego e Dona Tota, os pais do jogador, e foi não só onde Maradona cresceu, como também onde nasceram os irmãos do jogador. A publicação da decisão destaca que a “enorme influência do futebolista ímpar na cultura popular argentina transcende seus méritos desportivos e o constitui, à luz de seu falecimento recente, como um dos símbolos mais reconhecíveis” da identidade do país. Segundo o Diário Oficial argentino, a casa representa a fidelidade que o jogador demonstrou por toda sua vida com “suas origens e os laços profundos que o uniam à sua família”.

Maradona, ainda jovem, diante da casa em Villa Fiorito

Maradona, ainda jovem, diante da casa em Villa Fiorito © Instagram/reprodução

Campo de futebol em Villa Fiorito

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Próximo ao endereço, sete pequenos campos de futebol formam hoje o Clube Social e Esportivo Estrellas Unidas, onde no passado treinava a Estrela Vermelha, equipe formada pelo pai do jogador, Don Diego, onde Maradona começou a jogar. Segundo consta, a casa há anos já não mais era habitada pela família do ex-jogador, que doou o local para uma vizinha, e encontrava-se em franco abandono quando do falecimento do astro, em 25 de novembro de 2020. Desde sua morte, porém, o local passou a receber visitantes constantes, que deixam lembranças, como bolas, imagens e obras em celebração ao jogador. Com o decreto, porém, tudo indica que a casa de número 523 da rua Assamor será preservada e transformada em um museu, onde surgiu um dos maiores jogadores de futebol da história.

"Eternamente. Obrigado, Deus", diz mensagem em um dos campos na Villa Fiorito onde Maradona jogou no dia seguinte à sua morte

“Eternamente. Obrigado, Deus”, diz mensagem em um dos campos na Villa Fiorito onde Maradona jogou no dia seguinte à sua morte

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© fotos: Getty Images/crédito


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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