Ciência

Casal morre de covid de mãos dadas e com 1 minuto de diferença

Vitor Paiva - 15/10/2021

Por um lado, a história do casal formado por Carl Dunham, de 59 anos, e sua esposa Linda Dunham, de 66 anos, se encerrou em um final que pode ser considerado triste: por outro, porém, o amor se fez presente e evidente até o fim, até mesmo na forma que vieram a falecer – de mãos dadas, um lado do outro, com somente um minuto de diferença. Os dois morreram por complicações decorrentes da Covid-19 no domingo do dia 26 de setembro, com Carl falecendo às 11h07, e Linda às 11h08, após contraírem a doença em um acampamento no início do mês.

O casal Carl e Linda Dunham

O casal Carl e Linda Dunham

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Segundo relatos dos familiares, os dois já estavam devidamente vacinados, mas tinham doenças subjacentes e comorbidades que não foram especificadas, que explicam o quadro agravado. A filha do casal, Sarah Duncan, afirmou a um canal de TV que os sintomas iniciais foram percebidos durante um acampamento familiar. “(Meu pai) me ligou antes de nossa viagem de acampamento em família e disse que não estava se sentindo bem, mas ele achava que era apenas sinusite, e (Linda) pegou. Ela falou: ‘Ele me passou seu resfriado. No terceiro dia, eles me acordaram e disseram: ‘Temos que ir porque não nos sentimos bem’. Então, arrumei as coisas dos dois e eles foram embora”, afirmou Sarah.

as mãos dadas do casal Carl e Linda Dunham

As mãos dadas, registradas pela filha, assim permaneceram até o fim

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Poucos dias após retornarem, o casal foi internado e entrou em ventilação: aos poucos o quadro piorou e, diante do diagnóstico de que pouco havia a ser feito, os dois foram no domingo reunidos na mesma sala, com as camas dispostas uma ao lado da outra, e os permanecendo o tempo todo de mãos dadas. “Ela sempre brincava e dizia: ‘Bem, você vai antes de mim, eu estarei bem aí atrás de você, eu prometo’. E ela realmente estava, como se realmente estivesse bem ali atrás dele”, afirmou a filha, que aproveitou o triste ensejo para lembrar aos negacionistas a gravidade da doença, especialmente para quem tem comorbidades.

O casal Carl e Linda Dunham

Os dois eram de grupos de risco e tinham comorbidades

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“Estou com raiva porque muitas pessoas estão, tipo: ‘Se eu pegar Covid, eu pego Covid e é isso’. Não, não é. Pode ser qualquer pessoa; pode ser qualquer um. Eles fizeram tudo certo, fizeram de tudo para seguir os protocolos da maneira que deveria ser feito”, afirmou. O exemplo que fica para Sarah, porém, é mesmo um só: o amor. “O amor que eles encontraram depois de casamentos anteriores era fantástico. Eles eram as pessoas para quem você olhava e pensava: ‘Eu quero ser velho assim, quero esse amor quando tiver essa idade'”, afirmou.

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© fotos: arquivo pessoal


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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