Futuro

Como a pandemia criou uma versão híbrida do sexo entre a população brasileira

Vitor Paiva - 06/10/2021 | Atualizada em - 11/10/2021

Se a pandemia da Covid-19 alterou radicalmente a rotina de toda a população mundial, bem como nossas relações e interações em todos os sentidos, naturalmente que nossos hábitos sexuais também foram profundamente afetados e alterados – criando assim uma versão “híbrida” do sexo. Foi para medir e mapear de que forma a pandemia vem alterando os hábitos sexuais brasileiros que uma pesquisa de âmbito nacional foi realizada: intitulada “Sexvid” e iniciada em agosto do ano passado, apresentando agora os primeiros resultados preliminares, a pesquisa confirma que 85% da população brasileira segue praticando sexo nas suas mais variadas formas, mas com adaptações necessárias para que a prática siga ao máximo segura em tempos pandêmicos.

Capa da pesquisa "Sexvid"

Capa da pesquisa sobre as práticas sexuais em tempos pandêmicos © Facebook/reprodução

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O que a pesquisa classificou como “sexo híbrido” se trata de fenômeno inevitável a partir dos protocolos, medidas de distanciamento e outras etiquetas de segurança por conta da pandemia: utilizando principalmente recursos tecnológicos para trocas de mensagens e vídeo-chamadas, são como preliminares não somente do sexo propriamente, mas do próprio encontro presencial. A pesquisa multidisciplinar ainda está em andamento através de um questionário, e vem sendo realizada por uma parceria de pesquisadores das universidades UFRGS, UERJ, UFMG, UFPE, UNB, UFSC e FCM-MG.

Mulher mandando mensagem em smartphone

A tecnologia se tornou instrumento fundamental para o “sexo híbrido” atual

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O impacto da quarentena e as características do tal “sexo híbrido” fez com que acordos fossem estabelecidos entre quem decidiu se encontrar durante a pandemia, como isolamento rigoroso prévio ou a escolha de locais abertos e com distanciamento para o caso de primeiros encontros. Entre a população solteira, as mudanças começaram na própria imposição da Covid-19 como tema de conversas e combinados: vacinação, protocolos, práticas e acordos se tornaram assunto inevitável. Assim, além da troca de mensagens picantes – o famoso “sexting” – e mesmo da prática de sexo virtual por vídeo-chamadas, por exemplo, os cuidados anteriores, como exames eventuais e isolamentos necessários, se tornaram parte do flerte e das preliminares ao sexo presencial.

Os cuidados gerais com a Covid-19 se tornaram determinante para possíveis práticas sexuais seguras

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Os desdobramentos, porém, são diferentes, de acordo com a pesquisa, entre as pessoas casadas: se o convívio intenso foi inicialmente oportunidade de aumentar a recorrência e a intensidade da prática sexual, o uso das tecnologias surgiu pra justamente combater o tédio e os estresses eventuais – mesclando, assim, o sexo virtual com o presencial. Em resumo, portanto, os primeiros apontamentos da pesquisa sugerem que tais elementos virtuais, que antes não tinham especial importância no processo de flerte e sexo propriamente, ganharam protagonismo em tempos de pandemia – tornando, assim, em uma prática híbrida. Vale lembrar que a pesquisa ainda está em andamento, e a participação pode ser feita de forma simples, respondendo um questionário online aqui.

Casal transando com máscaras sobre a cama

Isolamento prévio e mesmo exames se tornaram pontos importantes para o flerte, segundo a pesquisa

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© fotos: Getty Images/créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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