Decoração

E se quadros famosos fossem arranjos florais?

Vitor Paiva - 08/10/2021 | Atualizada em - 14/10/2021

Se a inspiração para a arte fundamentalmente vem sempre da natureza, o trabalho da britânica Harriet Parry empurra tal máxima à literalidade, na direção da beleza irretocável de um arranjo de flores. Pois se o que a artista e florista é capaz de fazer com suas flores beira o inacreditável em todos os seus trabalhos, usando a beleza e as cores das plantas feito fossem tinta para obras de arte, são as suas “Interpretações Florais” que mais impressionam – quando Parry monta arranjos florais que “recriam”, com flores e alguns objetos pontuais, quadros clássicos de grandes pintores da história da arte, bem como ilustrações e mesmo cenas de filmes.

Arranjo (à esquerda) do quadro "Young Lady With Gloves", de Tamara De Lempicka (1930), à direita

Arranjo (à esquerda) do quadro “Jovem com luvas”, de Tamara De Lempicka (1930)

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A impressão que o trabalho oferece é de se estar diante do repertório variado de preferências pessoais da artista: pintores do passado e do presente, bem como filmes antigos ou contemporâneos, com influências do mundo da moda, além, é claro, de sua própria dedicação às flores e à natureza. Cada aspecto molda a criação de peças ao mesmo tempo interessantes, belas, humoradas e até mesmo cômicas – tudo através das flores, devidamente arranjadas e combinadas com fundos especiais, objetos particulares e tonalidades específicas que remontem à peça, quadro ou cena que serviu de inspiração.

"Woman in hat (Olga)", de Pablo Picasso (1935)

“Mulher de chapéu (Olga)”, de Pablo Picasso (1935)

Sem título, de Joan MIró

Sem título, de Joan Miró (1947)

"The Scream", de Edvard Munch

“O Grito”, de Edvard Munch

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Picasso, Klimt, Munch e outros gênios da história são trazidos ao presente pelas mãos e flores da artista, e não é difícil de imaginar que a imaginação e a habilidade floral e visual de Parry seja também recorrentemente convocada para decorações em geral – tanto em filmes, séries, filmagens, quanto propriamente em eventos, casamentos, acontecimentos específicos: tudo é tornado em obras ao mesmo tempo projetadas pela criatividade humana e naturais. Seu trabalho também já ganhou as páginas de publicações como Vogue, Interview, New York Times, Tatler e muitas mais.

"The Blue Veil", de Edmund Charles Tarbell (1898)

“O véu azul”, de Edmund Charles Tarbell (1898)

"Portrait of the journalist Sylvia Von Harden", de Otto Dix (1926)

“Retrato da jornalista Sylvia Von Harden”, de Otto Dix (1926)

"Nú em laranja com chão púrpura", de Hester Finch (2018)

“Nú em laranja com chão púrpura”, de Hester Finch (2018)

"As amigas II", de Gustav Klimt (1916-17)

“As amigas II”, de Gustav Klimt (1916-17)

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As recriações, é claro, não são nem teriam como ser literais: os arranjos apontam, relembram, sugerem esteticamente e principalmente em tonalidades e cores as obras que serviram de inspiração – um certo sentido emocional, porém, parece refeito à perfeição, ao ponto de, uma vez vista a comparação, não ser mais possível deixar de ver. A prova disso são as recriações de retratos – pessoas simplesmente, de anônimos a grandes celebridades, refeitos em flores: como pode ser visto no incrível David Bowie floral ou no autorretrato da artista.

Natalie Portman em cena de "The Darjeeling Limited", filme de Wes Anderson (2007) - e em arranjo floral

Natalie Portman em cena de “The Darjeeling Limited”, filme de Wes Anderson (2007) – e em flores

David Bowie em foto de Mick Rock de 1972, e nas flores de Harriet Parry

David Bowie em foto de Mick Rock de 1972, e nas flores de Harriet Parry

Autorretrato de Harriet Parry, em foto e flores

Autorretrato da artista, em foto e flores

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© fotos: Harriet Parry/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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