Ciência

Esta é a fantástica imagem ilustrando o momento em que um buraco negro engole uma estrela

Vitor Paiva - 15/10/2021 | Atualizada em - 19/10/2021

Não é difícil imaginar que a cena de um buraco negro supermassivo engolindo uma estrela em pleno espaço sideral, se pudéssemos assistir, seria como um dos grandes espetáculos visuais das galáxias. Pois tal suposição se confirmou enfim visível a partir de raios X emitidos por um desses eventos para fazer as primeiras medições, determinações e, assim, ilustrações do “encontro” entre uma estrela e um buraco negro de massa intermediária, permitindo assim a recriação em imagem do que cientistas chamam de “evento de perturbação de marés”, capaz de efetivamente destruir a estrela e emitir uma imensa explosão de radiação.

A incrível imagem criada a partir dos raios X captados do evento

A incrível imagem criada a partir dos raios X captados do evento © NASA

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As medições e determinações foram realizadas por cientistas da University of Arizona Steward Observatory, nos EUA, analisando as emissões de um buraco negro com peso em cerca de 10 mil vezes a massa do Sol – medida que pode parecer imensa, mas que, em comparação a outros buracos negros é, em verdade, pequena. “As emissões de raios X do disco interno formado por destroços da estrela morta tornaram possível para nós medir a massa e a rotação desse buraco negro, e classificá-lo como intermediário”, afirmou, Sixiang Wen, cientista que liderou a pesquisa.

O fenômeno captado apresenta dados importantes sobre os buracos negros e tais eventos

O fenômeno captado apresenta dados importantes sobre os buracos negros e tais eventos © Chris Smith (USRA/GESTAR)

-Stephen Hawking estava certo em previsão de 50 anos atrás sobre buracos negros

A explosão é capaz de ofuscar a luz de todas as estrelas da determinada galáxia por meses e mesmo anos, e a medição da dimensão desse buraco negro pode ajudar a compreender o funcionamento de tais fenômenos, bem como as origens,  atividades e comportamentos desse tipo de buraco negro, bem como informações sobre o próprio funcionamento da física de partículas.”O fato de que fomos capazes de capturar este buraco negro enquanto ele estava devorando uma estrela oferece uma oportunidade notável de observar o que de outra forma seria invisível,” afirmou a professora Ann Zabludoff.

O Steward Observatory, observatório na Universidade do Arizona

O Steward Observatory, observatório na Universidade do Arizona © Wikimedia Commons

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“Além disso, analisando a erupção, fomos capazes de entender melhor essa categoria indescritível de buracos negros, que pode muito bem ser responsável pela maioria dos buracos negros no centro das galáxias”, seguiu a professora. A informação sobre a velocidade de giro dos buracos negros foi também informação celebrada, por trazer dados sobre o surgimento e crescimento de tais eventos. “Se essas partículas existem e têm massas em um determinado intervalo, elas impedirão que um buraco negro de massa intermediária tenha um giro rápido,” afirmou Nicholas Stone, cientista da equipe. “Ainda assim, o buraco negro do J2150 está girando rápido. Portanto, nossa medição de giro exclui uma ampla classe de teorias de bóson ultraleves, mostrando o valor dos buracos negros como laboratórios extraterrestres para a física de partículas”, concluiu.

A primeira foto já registrada de um buraco negro

A primeira foto já registrada de um buraco negro © NASA

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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