Ciência

Imagem de satélite mostra seca em área de SP atingida por nuvem de poeira gigante

Redação Hypeness - 14/10/2021

Especialistas chamam atenção para duas características semelhantes nas cidades atingidas recentemente por uma nuvem de poeira no interior de São Paulo: a presença massiva do agronegócio e a ausência de cobertura vegetal. O fenômeno aconteceu no último fim de semana de setembro e surpreendeu moradores da região e quem viu as imagens pelas redes sociais ou pela televisão. 

– Nuvem de poeira que fez Franca desaparecer com ventos perto dos 100 km/h é explicada por especialistas

Nuvem de poeira toma a cidade de Franca, no fim de setembro.

À “BBC“, o coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Humberto Barbosa, afirmou que a nuvem de poeira foi causada pela conjunção de solos sem vegetação, seca intensa e ventos fortes.

A ventania gerou uma erosão eólica, que removeu não só a poeira como também o material de queimadas recentes. A impressão digital está lá: é muito clara a relação (da tempestade de poeira) com a degradação do solo“, explicou. 

As lavouras estavam sem plantações porque os agricultores costumam esperar o início das chuvas para plantar. Com os solos extremamente secos, os ventos fortes puderam carregar a terra com facilidade. 

Rio Paraná enfrenta seca histórica que pode afetar indústria e agricultura

De acordo com o Relatório de Qualidade Ambiental 2020, elaborado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do governo de São Paulo, o município de Barretos tem apenas 5,52% de vegetação nativa. Em Ribeirão, o número é de 13,29% e, em Franca, de 10,83%.

O estado de São Paulo tem apenas 17,5% da vegetação original e só perde para o Mato Grosso quando o assunto é área agrícola. 

O principal produto agrícola da região é a cana de açúcar. Nos últimos dois anos, os verões foram pouco chuvosos, o que afetou a plantação. Por conta disso, boa parte dos canaviais foi derrubada para dar espaço a plantações novas. 

Barbosa explica que imagens de satélite foram capazes de identificar que, nas áreas afetadas pelo fenômeno, o solo estava revirado à espera de um novo plantio. A prática é comum na agricultura e, associada ao uso de fertilizantes, por exemplo, deixa o solo com pouca matéria orgânica. Sem ela, o solo é carregado com mais facilidade por ventanias como a que ocorreu. 

 

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Fotos: Twitter


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